A queda chega, e como chega!

J.J.

A queda

Hoje li novamente os dois primeiros capítulos do livro das Lamentações de Jeremias (leia aqui). Que agonia! Que tristeza! Que desgraça!

O texto relata sobre o pós-queda de Sião (a.k.a. Jerusalém), mais especificamente sobre o lamento do povo que foi levado como escravo.

Ela (a cidade gloriosa) está literalmente inconsolável. Os amantes a abandonaram, os amigos tornaram-se inimigos. Toda a glória se foi; até mesmo os caminhos rumo à cidade santa, antes alvo de contínuas peregrinações cheias de alegria e expectativas, agora estão tristes como marcha fúnebre.

Reclama-se que agora “seus adversários a dominam, seus inimigos prosperam”, mas é interessantíssimo notar que Jerusalém sabe que isso só se deu “porque o Senhor a afligiu por causa das suas muitas transgressões”. E isso me faz pensa em mim. Até quando vou contar com a paciência de Deus diante das minhas contínuas transgressões? O que me faz pensar que Deus jamais vai virar o seu punho cerrado contra mim? Que loucura é essa que domina a minha mente e racionaliza continuamente o meu pecado?!

Depois que vem o castigo, lembro dos tempos de outrora. Como eu era feliz! Como tudo em minhas mãos prosperava! Como eu era amado! Mas agora é tarde e o que restou foram apenas lembranças de um tempo em que eu devia ter mostrado gratidão, mas preferi me afundar nos deleites e esquecer do verdadeiro responsável por eles. Se tudo vai bem, então tudo sempre seguirá bem. Que tolice!

A sua impureza estava nas suas saias; não se lembrava do seu fim; por isso foi abatida de modo estarrecedor; ninguém pode consolá-la.

E de quem é a culpa? Das pessoas? Do azar? De Deus? Sim, foi Deus quem fez (e faz) tudo isso; mas não é culpa dele, é castigo dado por ele! A culpa é minha e dessa vez não posso parafrasear Homer Simpson e dizer que “a culpa é minha, então eu a coloco em quem eu quiser”; não funciona assim com Deus.

O SENHOR é justo, pois me rebelei contra os seus mandamentos

A quem clamarei? A quem pedirei por socorro?

Chamei os meus amantes, mas eles me enganaram; os meus sacerdotes e os meus anciãos morreram na cidade enquanto buscavam mantimento para si, para refazerem as forças.

O meu gemido é ouvido, mas não há quem me console; todos os meus inimigos souberam da minha tragédia; eles se alegram porque a determinaste

Não tenho mais ninguém! Deus me derrotou e quando o próprio Deus bate, quem é forte o suficiente para me socorrer?

Como o Senhor cobriu a cidade de Sião de nuvens na sua indignação! Derrubou a glória de Israel do céu à terra e não se lembrou do estrado de seus pés no dia da sua ira. O Senhor devorou todas as moradas de Jacó sem piedade, derrubou as fortalezas da cidade de Judá no seu furor; lançou por terra e desonrou o reino e os seus príncipes. No furor da sua ira destruiu todo o poder de Israel; retirou a sua mão direita da frente do inimigo. Queimou Jacó como fogo ardente que destrói tudo em redor. Armou seu arco como inimigo, firmou a mão direita como adversário e matou todos os de boa aparência; derramou sua indignação como fogo contra a tenda da cidade de Sião. O Senhor se tornou como inimigo; devorou Israel, devorou todos os seus palácios, destruiu suas fortalezas e multiplicou o pranto e a lamentação na cidade de Judá. Demoliu com violência a sua tenda, como se fosse uma horta; destruiu o lugar da sua comunidade; o Senhor entregou ao esquecimento as assembleias solenes e o sábado em Sião, e rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote na indignação da sua ira. O Senhor desprezou o seu altar, detestou o seu santuário, entregou os muros dos seus palácios na mão do inimigo; deram-se gritos no templo do Senhor, como em dia de reunião solene. O Senhor decidiu destruir o muro da cidade de Sião; estendeu a corda, não impediu sua mão de fazer estragos; fez gemer o antemuro e o muro; juntos eles se enfraquecem. Suas portas ficaram soterradas, ele destruiu e despedaçou suas trancas; seu rei e seus príncipes foram levados para outras nações. Não há lei, nem os seus profetas recebem visão alguma da parte do Senhor.

Que catástrofe! Se o povo dileto de Deus caiu dessa forma, que dirá eu! Não se engane: Deus é bom, misericordioso e tal, mas Deus também se ira. Quando o copo dele se enche e derramamos a última gota, ele também diz: Basta!!!

Pois conhecemos aquele que disse: “Minha é a vingança, eu retribuirei”. E outra vez: “O Senhor julgará o seu povo”. Coisa terrível é cair nas mãos do Deus vivo! (Hebreus 10.30–31)

E, se acontecer, se eu me permitir afundar a ponto que ultrapassar o limite da paciência de Deus, se eu continuar rebelde mesmo diante dos avisos daqueles que se importam comigo, o que me restará além de humilhação, zombaria e desgraça?

Os meus olhos já se consumiram com lágrimas; estou perturbado; meu coração se derrama de tristeza por causa da destruição do meu povo, porque os meninos e as crianças de peito desfalecem pelas ruas da cidade. Quando desfalecem como os feridos pelas ruas da cidade, ou quando deixam escapar a vida no colo de suas mães, perguntam a elas: Onde estão o trigo e o vinho?

E ainda terei de ouvir da boca de descrentes zombadores: “Ué? Você não era cristão? Não acreditava em Deus? Não se dizia intocável? Cadê o seu Deus, agora?”

Será que, se acontecer, terei coragem de responder: “É ele quem está me fazendo isso. E eu mereci!”?

E por que caí? Porque me fiz surdo ou porque os cristãos que me rodeiam se fizeram mudos?

Os teus profetas te anunciaram visões falsas e insensatas e não denunciaram o teu pecado para evitar o teu cativeiro; mas anunciaram profecias inúteis e palavras que te levaram ao exílio.

Ora, se não sou eu o que cai, mas vejo um irmão à beira do precipício de olhos vendados por seu próprio pecado, será que tenho sido um profeta inútil a ele ou tenho sido ousado o suficiente a ponto de confrontá-lo com a verdade e, assim, evitar o seu cativeiro? Será que, em nome da política da boa vizinhança, tenho me calado ou pior, tenho dito palavras que o estão levando diretamente ao exílio? E, se ele finalmente cair na ira de Deus, será que eu, que vi tudo e nada fiz, serei considerado inocente? Estarei eu imune à mesma ira?

Então, voltamos à pergunta: quando o próprio Deus bate, quem é forte o suficiente para me socorrer? A quem pedirei ajuda?

Clama ao Senhor, ó povo de Sião; corram as tuas lágrimas como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês repouso, nem descansem os teus olhos. Levanta-te, clama de noite, no princípio das vigias; derrama o coração como águas diante do Senhor! Levanta tuas mãos a ele pela vida de teus filhinhos, que desfalecem de fome nas esquinas das ruas.

Apelarei ao Senhor! Desconstruir-me-ei diante dele em arrependimento genuíno, e, quem sabe, ele voltará seus olhos a mim, me carregará novamente no colo e curará minhas feridas.

Lavai-vos e purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos as vossas obras más; parai de praticar o mal; aprendei a praticar o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde e raciocinemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. (Isaías 1.16–18)

S.D.G.

TAM
Thiago André Monteiro
São Paulo, 10 de novembro de 2016

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s