Semaías, mero desconhecido

J.J.

Ao chegar a Jerusalém, Roboão convocou cento e oitenta mil guerreiros da elite de toda a tribo de Judá e de Benjamim para lutarem contra a casa de Israel, a fim de restituírem o reino a Roboão, filho de Salomão. Mas a palavra de Deus veio a Semaías, homem de Deus, dizendo: Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, e a toda a tribo de Judá e de Benjamim, e ao restante do povo: Assim diz o Senhor: Não atacareis vossos irmãos, os israelitas; volte cada um para a sua casa, porque fui eu que fiz isso. E, obedecendo à palavra do Senhor, eles voltaram conforme o Senhor ordenara. (1 Reis 12.21-24)

Semaías, mero desconhecido

Você já ouviu falar em Semaías? Pois é. Apesar de já ter lido este texto algumas vezes, reconheço que nunca parei para prestar atenção neste personagem. Também não lembro de ter visto nenhuma pregação sobre ele. Mas lendo esta passagem, percebi quão importante foi este “homem de Deus”.

Historicamente, o reino estava se dividindo. Jeroboão assumia o reinado da parte norte (dez tribos) e Roboão, filho de Salomão, assumia a parte sul (duas tribos). Imagino o quão tenso estava o ambiente neste rompimento da nação de Israel.

Roboão era o herdeiro real legítimo da linhagem de Davi. Ele deve ter pensado: “Eu tenho o sangue real. Eu é que devo ser o rei!”, e de fato preparou-se para a batalha. Queria recuperar à força aquilo que era seu por direito (pelo menos é o que acredito que ele pensava).

Mas então surge Semaías, o “homem de Deus”, e muda a sequência dos acontecimentos. E só porque ele recebera uma mensagem de Deus e passou-a adiante, mesmo sendo uma mensagem para o próprio rei, e contrária ao que este planejava fazer.

E isso tudo me fez pensar em nós, cristãos. Quantas vezes, ao ver os acontecimentos ao nosso redor — igrejas, famílias, amigos —, sabemos claramente qual a vontade de Deus para aquela situação, e não fazemos nada? Seja por preguiça, medo ou simplesmente para manter o bem-estar em vez de ser o catalisador a gerar turbulência no ambiente tranquilo.

O que será que teria acontecido se Semaías tivesse se calado?

Outra coisa que pensei foi: se eu nunca prestei atenção no tal de Semaías (e, provavelmente você também não), mesmo ele sendo tão importante para o desenrolar dos fatos, por que me importa tanto o reconhecimento das pessoas — os louros e confetes — quando faço aquilo que é o certo?

Atenção pastores e cristãos maduros, pois sei o quanto buscamos o inflar de egos, principalmente quando sabemos que agimos conforme a vontade de Deus.

Que tal deixar que a glória seja dele, e somente dele? Sejamos Semaías, um mero desconhecido que corajosamente fez toda a diferença, e contentemo-nos com o posto de serviçais anônimos e esquecidos que fazem a vontade de Deus.

S.D.G.

TAM
Thiago André Monteiro
São Paulo, 24 de abril de 2016

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