Baú de Crônicas

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Quem lê, entenda!

Publicado por Thiago André Monteiro em 27/Setembro/2009

Pecado na vida de um líder religioso importante levanta apelos para que ele seja demitido. O líder responde primeiro se defendendo, então, à medida que as evidências crescem e as perguntas persistem, ele ataca seus acusadores. O fardo é “mudado” do problema fundamental do pecado na vida do líder, para a lealdade de líderes e paroquianos. A solução se resume em eleger líderes leais e disciplinar qualquer um que faça perguntas.

Este cenário exato quase destruiu uma igreja. Os presbíteros pediram ao líder que se demitisse. Ele não aceitou, e sem a maioria de dois terços os presbíteros não podiam forçá-lo. Frustrados, vários presbíteros renunciaram. O líder indicou novos presbíteros que eram leais a ele.

A “solução” para o questionamento ao líder foi proteger a diretoria com seguidores leais e atacar todos os dissidentes. A mensagem foi posta claramente: Todos aqueles que não podem apoiar nossos líderes devem deixar a igreja. Muitos o fizeram. O problema “desapareceu”.

Dentro de um ano, a evidência do problema real veio à tona novamente. Desta vez o fardo foi colocado sobre “os de fora” (membros que haviam saído) por falatórios e por espalhar rumores, e sobre “os de dentro” por não acreditar neles. A liderança respondeu, como já havia feito antes, não abrindo o diálogo e procurando um padrão, mas reprimindo dissensão. O ciclo se repetiu várias vezes durante os dois anos seguintes. Cada nova crise induzia outras pessoas a deixar a igreja. A freqüência caiu de 400 para menos de 200 pessoas. A constante: o problema sempre voltava.

Ironicamente, as pessoas mais necessárias para resolver o problema eram aquelas que tinham sido forçadas a sair. O conflito era difícil e sensível, exigindo discernimento e liderança. Não por acaso, as pessoas que possuíam tais dons foram as primeiras a ver o problema e a torná-lo público. Forçar estas pessoas a sair apenas retardou a oportunidade de estabelecer uma liderança aberta e com bom discernimento.

Os efeitos secundários negativos foram muitos, incluindo:

  1. Criar a ilusão de que não havia problema;

  2. Acusar e ferir aqueles que não eram a fonte do problema;

  3. Manter o líder em pecado, e a igreja cega para a farsa;

  4. Dar um testemunho negativo ao nome de Cristo na região;

  5. Retardar a oportunidade de aprender, crescer e cumprir a visão de Deus.

Os líderes devem estar dispostos a assumir sua parte no problema antes de poder ajudar a igreja.

* * *

Texto de Jim Van Yperen, publicado no livro Lideres em ação, de George Barna (p. 272–273)
2009–09–27

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Liderar é dividir o poder

Publicado por Thiago André Monteiro em 30/Junho/2009

É muito comum falar-se de níveis e ou graus de liderança.

Quase sempre, Jesus se destaca como o exemplo máximo em qualquer tipo de abordagem que se faça, o que é absolutamente justo, pois ele o é mesmo!

Mas eu quero abordar um aspecto da liderança (no qual Jesus também reina soberano), a partir de um engano teológico muito comum nas abordagens do assunto.

Trata-se do extraordinário conselho que o sogro de Moisés (Jetro) lhe deu no deserto.

Primeiro vamos ver como isso ocorreu:

14Vendo, pois, o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, disse: Que é isto que fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até ao pôr-do-sol?
15Respondeu Moisés a seu sogro: É porque o povo me vem a mim para consultar a Deus; 16quando tem alguma questão, vem a mim, para que eu julgue entre um e outro e lhes declare os estatutos de Deus e as suas leis.
17O sogro de Moisés, porém, lhe disse: Não é bom o que fazes. 18Sem dúvida, desfalecerás, tanto tu como este povo que está contigo; pois isto é pesado demais para ti; tu só não o podes fazer. 19Ouve, pois, as minhas palavras; eu te aconselharei, e Deus seja contigo; representa o povo perante Deus, leva as suas causas a Deus, 20ensina-lhes os estatutos e as leis e faze-lhes saber o caminho em que devem andar e a obra que devem fazer. 21Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dez; 22para que julguem este povo em todo tempo. Toda causa grave trarão a ti, mas toda causa pequena eles mesmos julgarão; será assim mais fácil para ti, e eles levarão a carga contigo. 23Se isto fizeres, e assim Deus to mandar, poderás, então, suportar; e assim também todo este povo tornará em paz ao seu lugar.
24Moisés atendeu às palavras de seu sogro e fez tudo quanto este lhe dissera. — (Êxodo 18.14–24)

Algumas rápidas observações sobre esse conselho de Jetro:

  • Sua pergunta foi corretíssima: “que é isso que fazes ao povo? pois na verdade, Moisés além de prejudicar a si mesmo estava prejudicando o povo, o dia todo, todo dia.

  • A resposta de Moisés é típica: é por minha causa, pela minha posição, pela minha autoridade, pela minha liderança… etc. e tal.

  • Não é bom o que fazes: tu desfalecerás e o povo também.

  • Tu só não o podes fazer, é pesado demais.

  • Ouve o meu conselho e Deus seja contigo…

  • Não abra mão do seu papel sacerdotal.

  • Não abra mão do seu papel profético.

  • Mas abra mão do atender as demandas do povo (status, fama, respeito e poder).

  • Procura homens capacitados (um excelente currículo).

  • Coloca-os para atender o povo em todo o tempo.

  • Você só ficará com os assuntos mais importantes.

  • Será mais fácil para você, eles dividirão sua carga e o povo ficará em paz.

  • Tudo isso se Deus confirmar e você assim fizer…

Até aqui tudo bem, nada de novo, sem reparo algum.

A questão torna-se ainda mais relevante, quando observamos que o próprio Deus já havia dado a Moisés uma orientação bem parecida e com características ainda mais interessantes.

Para colocar a ordem de Deus antes do conselho de Jetro é preciso pontuar o tempo em que elas aconteceram. Em Êxodo 16, Deus, em resposta às reclamações do povo providencia o maná e as codornizes. Isto é antes do conselho de Jetro no capítulo 18.

Em Números 11.4–15 lemos, em outras palavras, a mesma reclamação do povo:

4E o populacho que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer? 5Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. 6Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná.
7Era o maná como semente de coentro, e a sua aparência, semelhante à de bdélio. 8Espalhava-se o povo, e o colhia, e em moinhos o moía ou num gral o pisava, e em panelas o cozia, e dele fazia bolos; o seu sabor era como o de bolos amassados com azeite. 9Quando, de noite, descia o orvalho sobre o arraial, sobre este também caía o maná.
10Então, Moisés ouviu chorar o povo por famílias, cada um à porta de sua tenda; e a ira do SENHOR grandemente se acendeu, e pareceu mal aos olhos de Moisés. 11Disse Moisés ao SENHOR: Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei favor aos teus olhos, visto que puseste sobre mim a carga de todo este povo? 12Concebi eu, porventura, todo este povo? Dei-o eu à luz, para que me digas: Leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança que mama, à terra que, sob juramento, prometeste a seus pais? 13Donde teria eu carne para dar a todo este povo? Pois chora diante de mim, dizendo: Dá-nos carne que possamos comer. 14Eu sozinho não posso levar todo este povo, pois me é pesado demais. 15Se assim me tratas, mata-me de uma vez, eu te peço, se tenho achado favor aos teus olhos; e não me deixes ver a minha miséria.

Nesse texto acrescentam-se alguns detalhes como a própria e extremada reclamação de Moisés.

Então Deus dá a resposta, nos vs. 16–17:

16Disse o SENHOR a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, que sabes serem anciãos e superintendentes do povo; e os trarás perante a tenda da congregação, para que assistam ali contigo. 17Então, descerei e ali falarei contigo; tirarei do Espírito que está sobre ti e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que não a leves tu somente.

Depois ele dá as codornizes, vs. 18–20:

18Dize ao povo: Santificai-vos para amanhã e comereis carne; porquanto chorastes aos ouvidos do SENHOR, dizendo: Quem nos dará carne a comer? Íamos bem no Egito. Pelo que o SENHOR vos dará carne, e comereis. 19Não comereis um dia, nem dois dias, nem cinco, nem dez, nem ainda vinte; 20mas um mês inteiro, até vos sair pelos narizes, até que vos enfastieis dela, porquanto rejeitastes o SENHOR, que está no meio de vós, e chorastes diante dele, dizendo: Por que saímos do Egito?

Agora, então, vem o que realmente importa.

Antes mesmo de dar uma resposta ao povo, Deus trata diretamente com Moisés.

Na solução de Deus, a proposta era que Moisés fosse muito além de apenas delegar tarefas do dia a dia com supervisores do povo, o que também era importante.

Mas, Deus queria que Moisés tivesse um grupo com ele, que se chegasse à tenda da congregação (onde Deus falava com Moisés), e que Deus repartiria com eles o próprio Espírito que Ele tinha posto em Moisés. Eles estariam com Moisés para levarem juntos o pastoreio de todo o povo.

Moisés obedeceu no início, mas aparentemente ele não deu a eles outras oportunidades de dividirem o poder:

24Saiu, pois, Moisés, e referiu ao povo as palavras do SENHOR, e ajuntou setenta homens dos anciãos do povo, e os pôs ao redor da tenda. 25Então, o SENHOR desceu na nuvem e lhe falou; e, tirando do Espírito que estava sobre ele, o pôs sobre aqueles setenta anciãos; quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas, depois, nunca mais. — (Números 11.24–25)

Aí está o xis da questão: Delegar tarefas ou dividir poder?

Evidentemente, que precisamos fazer as duas coisas, mas é muito mais fácil ser pragmático no atender o conselho de Jetro, e não praticar o conselho de Deus.

Também é necessário destacar que “o poder” que dividimos não nos pertence. Não se trata de capacidade, conhecimento, experiência ou qualquer outra virtude humana. Trata-se das virtudes de Deus, do poder de Deus, do Espírito de Deus. Moisés prontamente aceitou delegar tarefas, mas não foi tão fácil dividir o poder.

Por isso, o nível mais elevado de liderança, não apenas delega tarefas, mas também divide o poder, isto é, a visão, o chamado, a vocação, a autoridade, a honra e o privilégio de liderar o povo de Deus!

É fácil liderar subordinados, difícil é fazê-los iguais a nós e repartir o poder com eles!

Com quem você tem dividido o poder?

Daniel Reis
2009–06–30

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Liderança

Publicado por Thiago André Monteiro em 12/Março/2008

A situação era a seguinte: os judeus estavam a ponto de entrar na tão sonhada “terra prometida”. Eles haviam saído do Egito (depois do famoso episódio das dez pragas e da travessia do mar Vermelho) e peregrinado por 40 anos pelo deserto. Deus estava dando as leis que deveriam ser seguidas nas novas terras. Atente para o segundo e terceiro parágrafos:


Deuteronômio 17.14-20

Se quando entrarem na terra que o SENHOR, o seu Deus, lhes dá, tiverem tomado posse dela, e nela tiverem se estabelecido, vocês disserem: ‘Queremos um rei que nos governe, como têm todas as nações vizinhas’, tenham o cuidado de nomear o rei que o SENHOR, o seu Deus, escolher. Ele deve vir dentre os seus próprios irmãos israelitas. Não coloquem um estrangeiro como rei, alguém que não seja israelita.

Esse rei, porém, não deverá adquirir muitos cavalos, nem fazer o povo voltar ao Egito para conseguir mais cavalos, pois o SENHOR lhes disse: ‘Jamais voltem por este caminho’. Ele não deverá tomar para si muitas mulheres; se o fizer, desviará o seu coração. Também não deverá acumular muita prata e muito ouro.

Quando subir ao trono do seu reino, mandará fazer num rolo, para o seu uso pessoal, uma cópia da lei que está aos cuidados dos sacerdotes levitas. Trará sempre essa cópia consigo e terá que lê-la todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, o seu Deus, e a cumprir fielmente todas as palavras desta lei, e todos estes decretos. Isso fará que ele não se considere superior aos seus irmãos israelitas e que não se desvie da lei, nem para a direita, nem para a esquerda. Assim prolongará o seu reinado sobre Israel, bem como o dos seus descendentes.

O que podemos aprender com isso? Como é o procedimento dos nossos líderes e governantes de hoje? Notamos claramente que o foco foi perdido. A busca por riquezas e poder é o principal alvo de alguém que almeja um cargo de liderança.

Será que nossos líderes ao menos têm uma Bíblia. Se têm, será que lêem “todos os dias da sua vida”? Não seria este o motivo de considerarem-se superiores? Como seria se nossos líderes não buscassem riquezas ou poder, mas aprendessem a temer o Senhor e se esmerassem por cumprir fielmente os princípios revelados por Deus naquele livro que eles teriam em suas cabeceiras?

Falar do nosso governo é fácil, mas será que você não é também um líder? Não tem ninguém abaixo de você? Lembre-se, por exemplo, que um pai é o líder de seu lar. Se não é o seu caso, o que faria se estivesse na posição de liderança? Qual seria o seu objetivo? Como seria a sua conduta?


Thiago André Monteiro
2008-03-12

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