Baú de Crônicas

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O filho

Publicado por Thiago André Monteiro em 2/Novembro/2009

Um homem muito rico e seu filho tinham grande paixão pelas artes. Tinham de tudo em sua coleção, desde Picasso até Rafael. Muito unidos, se sentavam juntos para admirar as grandes obras de arte.

Por uma desgraça do destino, seu filho foi para guerra. Foi muito valente mas morreu na batalha, quando resgatava outro soldado. O pai recebeu a notícia e sofreu profundamente a morte de seu único filho.

Um mês mais tarde, alguém bateu à sua porta. Era um jovem com uma grande tela em suas mãos e foi logo dizendo ao pai: “O senhor não me conhece, mas eu sou o soldado por quem seu filho deu a vida; ele salvou muitas vidas nesse dia e estava me levando a um lugar seguro quando uma bala lhe atravessou o peito, morrendo instantaneamente. Ele falava muito do senhor e de seu amor pelas artes.”

O rapaz estendeu os braços para entregar a tela:

“Eu sei que não é muito, e eu também não sou um grande artista, mas sei também que seu filho gostaria que o senhor recebesse isto.”

O pai abriu a tela. Era um retrato de seu filho, pintado pelo jovem soldado. Ele olhou com profunda admiração a maneira com que o soldado havia capturado a personalidade de seu filho na pintura. O pai estava tão atraído pela expressão dos olhos de seu filho, que seus próprios olhos encheram-se de lágrimas.

Ele agradeceu ao jovem soldado, e ofereceu-se para pagar-lhe pela pintura. “Não, senhor, eu nunca poderei pagar o que seu filho fez por mim! Essa pintura é um presente.”

O pai colocou a tela à frente de suas grandes obras de arte, e a cada vez que alguém visitava sua casa, ele mostrava o retrato do filho, antes de mostrar sua famosa galeria.

O homem morreu alguns meses mais tarde e se anunciou um leilão de todas as suas obras de arte. Muita gente importante e influente chegou ao local, no dia e horário marcados, com grandes expectativas de comprar verdadeiras obras de arte. Em exposição estava o retrato do filho. O leiloeiro bateu seu martelo para dar início ao leilão:

“Começaremos o leilão com o retrato “O FILHO”. Quem oferece o primeiro lance? Quanto oferecem por este quadro?”

Um grande silêncio… Então um grito do fundo da sala: “Queremos ver as pinturas famosas!!! Esqueça-se desta!!!”

O leiloeiro insistiu: “Alguém oferece algo por essa pintura? R$100? R$200?…”

Mais uma vez outra voz: “Não viemos por esta pintura, viemos por Van Gogh, Picasso… Vamos às ofertas de verdade.” Mesmo assim o leiloeiro continuou…

“Quem leva O FILHO?”

Finalmente, uma voz: “Eu dou R$10 pela pintura.”

Era o velho jardineiro da casa. Sendo um homem muito pobre, esse era o único dinheiro que podia oferecer.

“Temos R$10! Quem dá R$20?” gritou o leiloeiro.

As pessoas já estavam irritadas, não queriam a pintura do filho, queriam as que realmente eram valiosas para sua coleção.

Então o leiloeiro bateu o martelo: “Dou-lhe uma, dou-lhe duas, vendido por R$10!!!”

“Agora, vamos começar com a coleção!” gritou um.

O leiloeiro soltou seu martelo e disse: “Sinto muito damas e cavalheiros, mas o leilão chegou ao eu final”. “Mas, e as pinturas?” perguntaram os interessados.

“Eu sinto muito”, disse o leiloeiro, “quando me chamaram para fazer o leilão, havia um segredo estipulado no testamento do antigo dono. Não seria permitido revelar esse segredo até esse exato momento. Somente a pintura O FILHO seria leiloada; aquele que a comprasse, herdaria absolutamente todas as suas posses, inclusive as famosas pinturas.”

“O homem que comprou “O FILHO” fica com tudo!!!”

* * *

Texto recebido num e-mail enviado pela minha mãe (obrigado mãe!). Autor anônimo (pelo menos não foi mencionado no referido e-mail).

Thiago André Monteiro
2009–11–02

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O Filho do Zé

Publicado por Thiago André Monteiro em 11/Janeiro/2008

Certa vez seus inimigos, quase que sem querer,
Prestaram a ele uma notável e significativa homenagem.
Na verdade intentavam ofendê-lo, depreciá-lo e desacreditá-lo.
Mas o tiro saiu pela culatra e destacou ainda mais a Sua grandeza.

Não é este o “filho do Zé”? Perguntaram seus algozes!
“Filho do Zé”, sim… ele é apenas o “filho do Zé”!
Como podia ele ser mais desprezível do que ser o “filho do Zé”?
Quem é o Zé? Um Zé qualquer, um Zé ninguém, só um Zé.

Na verdade, eles estavam certos. Ele era mesmo “filho do Zé”.
E o Zé, seu pai era um simples e ilustre desconhecido.
Ele era só um Zé, e ainda acrescentava-se… ”Zé marceneiro”.
No máximo era um coadjuvante, era o Zé do presépio.

Assim como o pai, certamente também seria o filho.
Tal pai, tal filho…decretaram profeticamente os fariseus.
O que se poderia esperar de um “filho do Zé”?
Ninguém precisaria se preocupar, ele era só o “filho do Zé”.

O que eles não sabiam é que sua maior e inusitada estratégia,
Era justamente o fato de se tornar o que era: “filho do Zé”.
Claro que poderiam chamá-lo de Filho do Rei, Filho de Deus,
E de fato Ele era, Ele é, e Ele sempre será o Filho de Deus, o Filho do Rei.

Ser filho do Zé, foi seu grande e indispensável trunfo.
Ser filho do Zé, abre a porta para todos os demais filhos dos Zés.
Quem estaria fora de seu alcance? Se ele mesmo era filho do Zé?
Ele se tornou exatamente quem precisava ser: filho do Zé.

Por um impressionante detalhe da sua história,
Aquele que foi chamado de Filho do Zé – Marceneiro
Viveu toda sua vida fazendo o bem a todos os Zés que encontrou
Mas terminou sua vida numa cruz, obra crua de algum Zé Marceneiro

O Grande Deus, o Grande Criador de tudo e de todos,
Aquele que era, que é e que sempre será o Pai da Eternidade,
Ele se fez filho do Zé, viveu como filho do Zé, morreu como filho do Zé,
Para que todos os demais filhos de Zés vivam toda a eternidade.

Ele foi para a cruz, representando todos os Zés que existem,
o Zé egoísta, o Zé orgulhoso, o Zé briguento, o Zé etecétera…
Mas, naquela cruz, ele também era o Unigênito Filho de Deus.
Só por isso ele pode morrer por todos os Zés, por vocês e por mim.

Hoje, todo e qualquer filho… de todos os Zés,
Através da simples fé nesse tão simples “Filho do Zé”
Pode se tornar um verdadeiro Filho de Deus
Por que Ele, o Filho de Deus, morreu por todos nós “filhos de Zés”!


Daniel Reis
Egito, janeiro de 2007

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