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Icabode

Icabode

ICABODE — Da mente de Cristo à consciência moderna

TÍTULO ORIGINAL: Icabode — Da mente de Cristo à consciência moderna
AUTOR: AMORESE, Rubem Martins
EDITORA: Ultimato, 1998 (1ª edição)
ISBN: 85-86539-15-5
CATEGORIA: Ética; Igreja; Liderança

SOBRE A OBRA:
Vivemos um tempo de desobediência. Não necessariamente por uma rebelião, mas por afrouxamento dos valores ou por falta de zelo com a Palavra de Deus. A rebelião moderna se dá “naturalmente”, no campo ideológico, travestida de senso crítico.

Em Icabode, Rubem Amorese mostra as três forças da modernidade e seu efeito devastador sobre a igreja: a pluralização (o império das diferenças), a privatização (o império das indiferenças) e a secularização (o império dos sentidos).

A igreja vê-se diante de uma nova realidade ameaçadora, mas que tem uma característica peculiar e incomum: não se trata de um inimigo, pelo menos no sentido em que os outros mostraram-se na história. Trata-se mais de um aliado que oferece vários recursos considerados imprescindíveis para o avanço do evangelho. É exatamente aí que mora o perigo. Ao criar uma nova atmosfera de possibilidades e realizações, tira da igreja a capacidade de discernir os acontecimentos à sua volta. E devagar, sem que ela perceba, vai minando suas bases, até comprometer sua identidade.

Tivesse Eli ouvido o aviso de Deus a respeito de seus filhos, Icabode (“foi-se a glória de Israel” — 1 Samuel 4.21) não teria sido seu neto órfão.

É preciso ler Icabode, antes que Icabode sejamos nós.

SOBRE O AUTOR:
Rubem Amorese é um paulistano criado no rio, onde formou-se em Comunicação Social e Literatura Francesa. É mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e pós-graduado em Informática pela Universidade Católica. Tem ensinado na Faculdade Teológica Batista de Brasília desde 1982. É Consultor Legislativo no Senado Federal e autor de, entre outros, Celebração do Evangelho, Excelentíssimos Senhores e Igreja e Sociedade.

OPINIÃO DO LEITOR:
2010–04–10: Comecei a lê-lo hoje, incentivado pela leitura do nascimento de Icabode (veja 1 Samuel 4) — aparentemente o livro não discorre acerca deste texto bíblico —. Estou entrando no terceiro capítulo e até o momento me parece uma leitura bastante interessante, agradável e atual (apesar do livro já ter mais de dez anos). Está me fazendo pensar a respeito de nossa época e dos desdobramentos que ela imprime na sociedade. Por enquanto, recomendo.

2010–04–18: Li mais um pouco e estou no meio do quarto capítulo. O livro tem se mostrado muito bom mesmo. Uma pena que ele ficou tanto tempo parado na minha biblioteca.

Por enquanto vou destacar algumas partes que me chamaram a atenção:

“Uma coisa é a validade de um valor, adotado apenas dentro de uma família; outra, é o peso de um comportamento apresentado como unanimidade nacional. E a sua liberdade de se manter cristão, fiel àqueles princípios — que, afinal, continuam como uma opção — vai sendo dificultada pela tirania da chamada “opinião pública”, que vem substituir os antigos valores” (p. 57)

Em outras tantas o autor escreve:

“Toda vez que uma “opção” for-lhe contestada, nosso cidadão lançará mão desse refúgio, com a expressão — dá licença? A expressão não tem nada de mágica, nem de sinal secreto, mas simboliza o mecanismo de retirada para o privado. Essa opção pertence ao mundo privado, não podendo, portanto, ser contestada por ninguém.

Talvez por isso, o mundo privado, à medida que se desenvolve e hipertrofia com a modernização da sociedade, se torna um mundo de desolação e solidão. Num momento teórico em que a fratura for levada ao seu momento máximo, as pessoas estarão absolutamente sós. O filho dirá a seus pais: “dá licença?”; os pais dirão ao filhos: “dá licença?”; os amigos dirão aos outros: “dá licença?”; os irmãos afastarão outros irmãos com um delicado “dá licença?”; o pastor ouvirá de suas ovelhas: “dá licença?” E estaremos então vivendo um mundo de extrema vulnerabilidade.” (p. 63)

Finalmente, destaco ainda outro trecho da obra:

“A secularização, entre nós, pode ser apresentada nas palavras de Dom Aloísio Lorscheider. Perguntado sobre a razão de as pessoas não mais aceitarem os conselhos da Igreja sobre temas atuais como aborto, pena de morte, ecologia, eutanásia, ele respondeu:

Não é que a Igreja perdeu o poder de aconselhar as pessoas. Ela aconselha, mas as pessoas não aceitam mais esses conselhos, porque não aceitam mais a transcendência. Elas praticamente não aceitam mais Deus, que é quem nos dá normas a partir da própria criação. Deus fez o mundo com sabedoria, mas as pessoas deixaram de fazer essa leitura do mundo. O mundo é visto como uma razão matemática e não mais filosófica e muito menos teológica. Essa é a tendência do mundo de hoje.” (p. 66)

2010–08–26: Depois de um tempão com o livro abandonado na estante retomei a leitura e, em poucos dias, concluí a obra. Minha impressão: em excelente livro que deveria ser lido por todos os cristãos que buscam seriedade no cristianismo. Uma análise esplêndida dos dias atuais e de como a igreja tem se portado no mundo.

É verdade que pode ser uma leitura um pouco pesada para quem só está acostumado a histórias, mesmo assim, com toda a certeza, trata-se de uma obra bastante relevante que vale cada minuto investido.

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O autor

Thiago André Monteiro
33 anos, casado, pai

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