Publicado por Thiago André Monteiro em 3/Dezembro/2009
O texto abaixo foi originalmente publicado no blog Theologizando.
Boa leitura!
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Era uma vez uma igreja. Nela havia um irmão chamado Irlandino. Tratava-se de um dos membros mais antigos e era muito sério e respeitoso. Homem já de meia idade, com óculos de lentes grossas e um farto bigode, envergando sempre paletó e gravata, Irlandino inspirava, mesmo por sua aparência grave, a confiança em todos. Por isso, ocupava o cargo de tesoureiro da igreja e os irmãos o respeitavam muito.
Um dia o irmão Irlandino sumiu! E não sumiu sozinho: levou consigo uma amante e todo o dinheiro da igreja! Todos ficaram surpresos. Mas, o que se havia de fazer senão lamentar o ocorrido?
Passado algum tempo, o irmão Irlandino voltou. E voltou sozinho. Nem o dinheiro que havia furtado trouxe consigo de volta. Na verdade, ele não voltou para devolver dinheiro algum, nem mesmo para pedir perdão à igreja. Voltou apenas para, digamos, rever os velhos amigos.
Ao chegar na igreja ninguém tocou no assunto do seu pecado. Antes, todos sorriram para ele e deram-lhe abraços; sentaram com ele na cantina e conversaram sobre os mais divertidos assuntos, fazendo com que ele se sentisse em casa. Os crentes mais antigos diziam que isso era perdão (como se perdão fosse tolerar o mal de quem não se arrepende e deixá-lo sem correção). Os crentes mais novos ficaram com a impressão de que o pecado não é coisa lá muito séria. E os jovens e as crianças perceberam que era possível fazer o mal e tudo continuar bem.
“Arrependimento? Para quê?” — pensava Irlandino. “Vergonha? De quê? Afinal de contas é como se nada tivesse acontecido!” E as coisas continuaram assim até que Irlandino morreu.
Morreu? Sim. Mas Irlandino não morreu completamente. Os novos crentes, desprovidos de temor, se tornaram irlandinos. Os jovens e as crianças, agora em fase adulta, vendo como era tratado o pecado ali, também se tornaram irlandinos. Os crentes mais antigos “perdoavam” a todos e na igreja eram só sorrisos e festas. Então… era uma vez uma igreja…
Pr. Marcos Granconato
2009–12–03
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Publicado por Thiago André Monteiro em 27/Setembro/2009
Pecado na vida de um líder religioso importante levanta apelos para que ele seja demitido. O líder responde primeiro se defendendo, então, à medida que as evidências crescem e as perguntas persistem, ele ataca seus acusadores. O fardo é “mudado” do problema fundamental do pecado na vida do líder, para a lealdade de líderes e paroquianos. A solução se resume em eleger líderes leais e disciplinar qualquer um que faça perguntas.
Este cenário exato quase destruiu uma igreja. Os presbíteros pediram ao líder que se demitisse. Ele não aceitou, e sem a maioria de dois terços os presbíteros não podiam forçá-lo. Frustrados, vários presbíteros renunciaram. O líder indicou novos presbíteros que eram leais a ele.
A “solução” para o questionamento ao líder foi proteger a diretoria com seguidores leais e atacar todos os dissidentes. A mensagem foi posta claramente: Todos aqueles que não podem apoiar nossos líderes devem deixar a igreja. Muitos o fizeram. O problema “desapareceu”.
Dentro de um ano, a evidência do problema real veio à tona novamente. Desta vez o fardo foi colocado sobre “os de fora” (membros que haviam saído) por falatórios e por espalhar rumores, e sobre “os de dentro” por não acreditar neles. A liderança respondeu, como já havia feito antes, não abrindo o diálogo e procurando um padrão, mas reprimindo dissensão. O ciclo se repetiu várias vezes durante os dois anos seguintes. Cada nova crise induzia outras pessoas a deixar a igreja. A freqüência caiu de 400 para menos de 200 pessoas. A constante: o problema sempre voltava.
Ironicamente, as pessoas mais necessárias para resolver o problema eram aquelas que tinham sido forçadas a sair. O conflito era difícil e sensível, exigindo discernimento e liderança. Não por acaso, as pessoas que possuíam tais dons foram as primeiras a ver o problema e a torná-lo público. Forçar estas pessoas a sair apenas retardou a oportunidade de estabelecer uma liderança aberta e com bom discernimento.
Os efeitos secundários negativos foram muitos, incluindo:
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Criar a ilusão de que não havia problema;
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Acusar e ferir aqueles que não eram a fonte do problema;
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Manter o líder em pecado, e a igreja cega para a farsa;
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Dar um testemunho negativo ao nome de Cristo na região;
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Retardar a oportunidade de aprender, crescer e cumprir a visão de Deus.
Os líderes devem estar dispostos a assumir sua parte no problema antes de poder ajudar a igreja.
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Texto de Jim Van Yperen, publicado no livro Lideres em ação, de George Barna (p. 272–273)
2009–09–27
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