Mateus 1
Publicado por Thiago André Monteiro em 4/janeiro/2010
Antes de começar a ler o evangelho de Mateus, sugiro que leia o seguinte texto introdutório. Acredito que vai ajudá-lo a entender melhor a leitura do livro como um todo.
Se você quiser, pode ler o primeiro capítulo de Mateus aqui.
vv. 1–17: Tendo em vista que Mateus escreve para judeus, era muito importante que ele apresentasse a genealogia de Jesus. Esta genealogia segue a linhagem de José, o pai legal (embora não natural). Era muito importante que ela ligasse Jesus à descendência do rei Davi; afinal, este era um dos pré-requisitos que o Messias deveria cumprir de acordo com as profecias do Antigo Testamento.
Outra ligação que Mateus faz questão de ressaltar ao apresentar a genealogia de Jesus, é sua descendência em relação a Abraão, o pai do povo hebreu, com quem o próprio Deus firmou sua aliança.
v. 16: A utilização do feminino singular (“da qual”), no grego, não deixa dúvidas de que Jesus nasceu apenas de Maria, e não de Maria e José. Esta é uma das evidências mais fortes para comprovar o nascimento virginal de Jesus.
v. 22: Várias vezes veremos no evangelho de Mateus sentenças similares (“tudo isso aconteceu, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermádio do profeta”). Isso porque o seu objetivo é convencer os judeus que Jesus é o Messias prometido que deveria vir.
Deixe você também os seus comentários, impressões e dúvidas acerca de sua leitura.
Thiago André Monteiro
2010–01–04

Genealogias (Mateus 1) « Baú de Crônicas disse
[...] (ou só o Novo Testamento) em 1 anoAs parábolas de LucasPor que é importante estudar teologia?Mateus 1Como tudo começou – Uma introdução ao [...]
Renata Aguemi Monteiro disse
Oi, Thi.
Só para dizer que foi bem legal essa sua idéia de lermos juntos o NT, realmente a leitura é bem rápida, não custa nada e aprendemos bastante com os comentários…
Eu, por exemplo, já tinha lido Mateus 1 várias vezes e só me toquei agora que o último versículo já apresenta um excelente argumento contra a idéia que Maria foi sempre Virgem e que o fato de Jesus ter irmãos é absurdo…
Um beijão
Re
Thiago André Monteiro disse
O “da qual” só passa a ser importante pela quebra de lógica ao longo de toda a genealogia (como expliquei antes). Fora deste contexto o “da qual” não seria tão relevante e eu concordaria com os dois.
Thiago André Monteiro
MSex disse
Concordo como o Roberto, acho estranho voce considerar esse detalhe sobre essa conjuncao em grego “uma das evidências mais fortes para comprovar o nascimento virginal de Jesus.” e achar o esquema virgem/jovem irrelevante. Acho esse “da qual” muito mais irrelevante. Relevante eu acho o “coabitado”.
Roberto Speicys Cardoso disse
No v. 18 é claro, mas atribuir a um recurso de estilo do v. 16 a prova de um fato é exagerado. No máximo é uma interpretação, nunca uma evidência.
Thiago André Monteiro disse
A questão aqui é resolvida pelo contexto. Mateus constrói a linhagem legal de Jesus, e para tal esta deveria passar pelos patriarcas (homens). Notamos isso quando aparece alguma mulher na genealogia. Veja como os homens são os responsáveis legais pela linhagem mesmo quando as mulheres (Raabe e Rute) são citadas no v. 5: “Salmom [homem] gerou de Raabe [mulher] a Boaz [homem]; este, de Rute [mulher], gerou a Obede [homem]“. Podemos notar a mesma estrutura no caso de Salomão, o filho de Davi com a ex-mulher de Urias (veja o v. 6: “o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias”).
Esta estrutura é estranhamente quebrada quando a linhagem chega em José e Maria. Este é o único caso em que a genealogia de Jesus não é amarrada a um homem; ao contrário, estranhamente José é até citado, mas forçadamente deixado de lado quando Mateus diz que Jesus era filho de Maria (“e Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo.”, v. 16); o “apenas Maria” fica implícito no contexto e é evidenciado pelo uso do feminino singular “da qual”.
Mas, para nós, o contexto da história é muito mais claro do que este exercício exegético. Notamos isso ao ler o versículo abaixo:
“sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo” (v. 18);
A conclusão de que José não participou da concepção de Jesus aparece novamente quando vemos a disposição de José em abandonar Maria secretamente para não difamá-la (afinal, ela estava grávida e não era dele; logo José entendeu que ela o traíra), mas um anjo chegou a tempo e o convenceu a não abandoná-la, dizendo: “não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo” (v. 20).
Os versos 23 e 25 também não deixam dúvida!
Aliás, aproveito para destacar que o v. 25 (“Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus.”), que nos afirma claramente que Maria não continuou virgem depois que teve Jesus; ou seja, ela teve sim relações com José. Há como entender esse verso de outra maneira?
Roberto Speicys Cardoso disse
Eu não entendi o v. 16… Se eu escrever em um e-mail, “A Adélia, da qual nasceu o Rafael…” seria a prova que eu não sou o pai? O correto então seria dizer “A Adélia e o Roberto, dos quais nasceram o Rafael…”. É isso?