Baú de Crônicas

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O fato da ressurreição

Publicado por Thiago André Monteiro em 29/Outubro/2009

Texto publicado em LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento — Edição revisada. São Paulo: Hagnos, 2003 — pp. 456–457

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Para o estudante moderno de história e de teologia bíblica, algumas questões difíceis se interligam ao testemunho do Novo Testamento, em relação à ressurreição de Cristo. Atualmente, é impossível para algumas pessoas aceitarem o fato da ressurreição conforme narrado na Bíblia; contudo, a ressurreição serve somente para focalizar a atenção mais intensamente sobre o caráter do curso completo da história da redenção. Paulo escreveu em 1 Coríntios 15:14: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”. Essa declaração parece muito ousada. Não é a fé no Deus vivo que é fundamental à vida? Será que a fé no Deus vivo pode ser perturbada pela realidade ou não-realidade de um evento isolado? Será que o autor de Hebreus estabeleceu a fé em Deus como princípio básico, subjacente a tudo mais, quando escreveu, “…porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11:6). Não deveríamos dizer que é a fé no Deus vivo que vindica ou dá crédito à nossa confiança na ressurreição de Cristo?

Essa sugestão é persuasiva, mas é contraditada pela linha de raciocínio seguida por Paulo. Se Cristo não ressuscitou, a fé é algo inútil. A razão para tanto não é obscura. O Deus que é adorado na fé cristã não é o produto dessa mesma fé e tampouco a criação de teólogos ou filósofos. Ele não é um Deus que foi inventado ou descoberto pelos homens. É o Deus que tomou a iniciativa de falar aos homens, de revelar-se em uma série de eventos redentores, que recuam, no tempo, à libertação de Israel do Egito e a períodos anteriores a esse. Deus não se tornou conhecido por meio de um sistema de ensino, ou por uma teologia ou ainda por um livro, mas por meio de uma série de eventos registrados na Bíblia. A vinda de Jesus de Nazaré foi o ápice dessa série de eventos redentores; e sua ressurreição é o ponto que valida tudo o que dantes acontecera. Se Cristo não ressuscitou dentre os mortos, a longa jornada dos atos redentores de Deus para salvar seu povo terminou em uma rua-sem-saída, em um túmulo. Se a ressurreição de Cristo não é realidade, então não temos segurança de que Deus é o Deus vivo, pois a morte é a palavra final. A fé é inútil, porque o objeto dessa mesma fé não vindicou a si próprio como o Senhor da vida. A fé cristã, portanto, está aprisionada no túmulo, juntamente com a mais elaborada e final auto-revelação de Deus em Cristo — se Cristo, realmente, estiver morto.

Thiago André Monteiro
2009–10–29

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