Baú de Crônicas

Sempre buscando um melhor entendimento das coisas de Deus!

Monólogo do homem da casa

Publicado por Thiago André Monteiro em 24/Março/2009

Hoje eu vou aproveitar a minha Happy Hour.
Vou dar um giro nesse parque, depois vou beber alguma coisa e vou mais cedo para casa.
Vai ser uma surpresa para a Roberta. Eu nunca cheguei tão cedo em casa.
(anda cantarolando todo feliz pela praça, quando de repente ele vê um papel no chão)

Que coisa, como tem gente mal educada nesta cidade. Por que não jogam o lixo no lixo?
Além disso é um papel rasgado… a outra parte até deve estar jogada por aí também…

… o que está escrito neste papel?

TEM UM HOMEM NA SUA CASA?

Como assim, tem um homem em minha casa? Que bobagem, é claro que tem. Que tipo de coisa estava escrito aqui para se fazer uma pergunta tão tola.

Tá bom… tá bom… é só amassar e jogar fora, e pronto, acabou a conversa.
(ele pega o papel, amassa e joga numa lixeira que encontra perto de um banco, onde ele senta).

Tem um homem em sua casa. Que pergunta mais tola. Claro que tem. Inclusive tem 2. Eu e meu filho.

Porque alguém faria uma pergunta assim? Será que é de algum movimento feminista, defendendo que as mulheres não precisam de um homem?
(ele volta para o lixo e procura o papel amassado e vai ler com mais cuidado…)

É, não tem nada mais escrito… só o título. Deve ser bobagem mesmo. (joga no lixo novamente)
Mas… que perguntinha impertinente. Não consigo pensar em outra coisa.
Será que ela está querendo checar se eu sou mesmo o homem da minha casa?
Se fosse isso, o que realmente eu teria como resposta?

UM HOMEM EM MINHA CASA seria o homem que eu tenho sido para a minha família?
— tenho assumido as responsabilidades como homem da casa. Claro que sim. Claro, quem é que trabalha e traz tudo para dentro de casa? Não sou eu? Claro que sim. Tá certo que a minha esposa até ajuda com o salário dela… o que é ótimo, diga-se de passagem.
— será que eu tenho sido um líder para a minha família? No sentido de educação, ambiente, comunicação, convivência, envolvimento e participação na vida do dia a dia?
— não sei não… acho que eu precisaria melhorar um pouco nessas coisinhas…

UM HOMEM EM MINHA CASA seria o marido que minha esposa tem tido em mim?
— óbvio que sim… foi comigo que ela casou. Casou por que quis casar… por que me escolheu…
— mas… será que eu a faço feliz?
— Eu dou segurança emocional para ela?
— eu sou parceiro dela em todos os seus momentos?
— Minha consideração e carinho para com ela está sempre em primeiro lugar?
— Eu tenho cuidado espiritualmente dela?
— tenho dedicado tempo para estar e dar atenção a ela?

… é acho que nesses assuntos tenho sido um pouco relaxado também…

UM HOMEM EM MINHA CASA seria o pai que os meus filhos têm visto em mim?
— eu tenho acompanhado de perto a vida dos meus filhos?
— tenho sido um amigo próximo deles? Quem sabe o melhor amigo?
— tenho passado para eles os verdadeiros valores da vida?
— tenho mantido um relacionamento aberto e franco com eles?
— tenho investido tempo para estar junto com eles?

Caramba meu… que é isso… um inventário do celebrando?

Que perguntinha mais chata…
(ele volta ao lixo e pega de novo o papel…)

Como eu gostaria de encontrar a outra parte desse papel…

Eu gostaria muito de saber o que estava escrito como resposta para essa pergunta…

SERÁ QUE TEM UM HOMEM NA MINHA CASA?

Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos!
Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem.
Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera;
teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa.
Eis como será abençoado o homem que teme ao SENHOR!

Daniel Reis
2009-03-24

Uma resposta para “Monólogo do homem da casa”

  1. Mayara Anias disse

    Bom, O “Monólogo do homem da casa” é uma espécie de alarme. Uma alarme que soa intensamente, mas que muitas vezes o ignoramos.
    O texto nos faz refletir sobre o papel que estamos nos submetendo em nosso dia-a-dia.
    Temos uma vida agitada pelo trabalho e pelo consumo, isso é um fato!Só que esquecemos de gozar da vida.. Esquecemos e não damos importância as coisas simples da vida.
    O Amor, a esperança, a compreensão, a amizade.. todos esses sentimentos vão perdendo o espaço para o “capitalismo” e o “consumo” exagerado, onde passa a existir o ódio, intolerância, incompreensão, a raiva….
    Já passou da hora de acordarmos, não?
    Realmente será que estamos dando o valor ao que temos de mais valioso?( nossa vida, nossos companheiros, as pessoas que nos amam)

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