Baú de Crônicas

Sempre buscando um melhor entendimento das coisas de Deus!

O desafio do preparo missionário em um contexto de prejuízo histórico

Escrito por Thiago André Monteiro em 24/Abril/2008

Vou aproveitar este espaço para divulgar também alguns textos que usamos no curso de bacharelado em teologia. É um jeito de deixá-los disponíveis para os alunos, além de divulgar um material mais acadêmico para os que apreciam.

Este texto, apesar de tratar de missões, foi uma leitura proposta pelo professor Antonio Carlos no curso “Religiões comparadas no Brasil”. O autor do texto é Ronaldo Lidório. Se preferir ler o texto em PDF, baixe-o clicando aqui.

Boa leitura!

* * *

Para entendermos os critérios das mudanças na área de ensino missiológico em todo o mundo nos últimos 30 anos, precisamos estudar as tendências teológicas presentes em cada contexto.

A grosso modo veríamos que nos anos 70, a missiologia possuía uma ênfase eclesiológica localizada e pragmática. Avaliava-se na época a identidade da Igreja como comunidade responsável por transmitir o evangelho de Cristo por toda a terra. Esta ênfase eclesiológica com aplicabilidade pastoral/eclesiástica definia a formação da mentalidade evangélica levando à uma consciência de quem nós somos e para que fomos chamados. Foi uma época de fundamentação missiológica, a época dos conceitos, que preparou também a Igreja dos países missionário emergentes para a segunda década.

Nos anos 80 iniciou-se um processo centrado na análise e avaliação do campo missionário e notamos o que tenho chamado de “Efeito PNA” (Povos Não Alcançados) fazendo com que o assunto Missões passasse a ter uma forma gráfica e estatística. Quem são os PNAs, onde estão e como alcançá-los. Surgiram os pesquisadores, os movimentos de categorização da prioridade missionária no mundo e a ênfase na definição do que seria a grande meta missionária da Igreja nos próximos anos. Movimentos como AD 2.000, WEC International (AMEM), World Mission e outras se dedicavam intensamente à tarefa de definir quem eram, onde estavam e qual a chance de alcançar os grupos ainda intocados pelo evangelho. Definiu-se a janela 10X40, entendeu-se a dimensão do desafio islâmico, foi revelada a necessidade de investimento missionário entre o crescente grupo dos “Sem Religião” e compreendeu-se melhor a permanente resistência dos grupos animistas além do sempre presente perigo do sincretismo religioso. Era a década da definição da largura, extensão e profundidade do restante não alcançado em nossa geração e do que ainda precisava ser feito.

Dois grandes passos haviam sido dados até então: a fundamentação de uma missiologia voltada para a identidade da Igreja e o estudo dos grupos alvos do esforço missionário. Neste ínterim, através do massivo envio missionários nos anos 80, percebeu-se a existência de uma brecha entre o ideal missionário e a realização missionária e assim entramos na década seguinte com uma forte consciência de que faltava algo.

Nos anos 90, com a visão das limitações missionárias, problemas freqüentes de contextualização e comunicação transcultural, limitada aplicabilidade das teologias bíblicas em contexto inter-cultural e reduzido número de igrejas autóctones entre os grupos recém alcançados, fomos levados a crer que a formação missiológica (a descrição de nossa identidade funcional, princípios e conceitos como Corpo chamado a fazer diferença na terra) era insuficiente perante o sonho de plantio de igrejas no restante intocado do planeta. Faltavam-nos instrumentos, preparo prático, instrução sobre como fazer, tecnicabilidade; enfim, faltava-nos um manual sobre “como fazer” - treinamento missionário. Ao longo dos anos 90 nos rendemos à conclusão de que o grande desafio da década, e possivelmente da década seguinte, seria a preparação teológica, ortoprática e funcional de obreiros transculturais. Assim passamos a falar em redefinição de currículos, idealização de melhores treinamentos, fundação de novas escolas de Missões e toda a ênfase voltou-se para a pessoa do missionário gerando também um aprofundamento nos critérios de aceitação, treinamento e envio de novos missionários. Fenomenologia da Religião, Antropologia Cultural, Fonética, Aprendizado de Línguas, Tradução e Teologia de Missões ganharam ênfase em várias instituições de ensino.

Após esta retrospectiva vejamos um pouco do momento atual.

Prejuízo Histórico

Vivemos em um prejuízo histórico missionário como todos os países missiologicamente embrionários onde possuímos uma pequena leva de missiólogos para um grande número de instituições de treinamento missionário onde a grande maioria de nossos professores não tiveram a oportunidade de ser expostos a um contexto transcultural missionário e por outro lado, o grosso dos nossos missionários mais experientes ainda encontram-se na ativa em diferentes campos. Este é um prejuízo histórico comum no momento que nos encontramos, basicamente vivendo a nossa segunda geração missionária e possivelmente apenas entre a terceira e quarta é que passaremos a experimentar um número maior de missionários envolvidos missiologicamente no preparo de novos obreiros. Entretanto devemos lembrar que missionários funcionalmente capazes em seus campos não são necessariamente missiólogos ou professores de missões. Países como a Coréia do Sul, Nova Zelândia, Austrália, Brasil e Tanzânia vivem situações parecidas do ponto de vista do preparo: a falta de uma ponte que una a realidade do desafio do campo missionário e a presente proposta de preparo missiológico.

É certo que não podemos lidar com todas as implicações desta realidade histórica na qual nos encontramos, entretanto creio que podemos minimizar seus efeitos. Precisamos definir nossas prioridades e limitações em nosso treinamento e formação missionária. Costumo afirmar que, pela índole evangelística da Igreja brasileira, temos em nosso território um laboratório natural para a formação de plantadores de igrejas. Somos uma nação etnicamente multi cultural e nossas raízes histórico/culturais remontam a um passado menos distante que países com homogenia étnica fazendo com que a chamada “Expectativa Cultural” seja menos gritante.

Para minimizarmos os efeitos do prejuízo histórico no qual nos encontramos creio que poderíamos pensar e tentar enfatizar, sob as definições de sua aplicabilidade funcional, três áreas da formação missionária as quais, pelo simples fato de serem comumente apontadas por obreiros provindos de ‘novos países’ como as principais barreiras na tentativa de uma verdadeira comunicação do evangelho, constituem para mim o supra sumo da nossa carência de treinamento integral. São elas a Antropologia Cultural, Teologia Bíblica e Aprendizado de Línguas. Menciono estas áreas, entretanto, sob o pressuposto de que já temos em mente que o caráter missionário fala mais alto que sua habilidade. Portanto seria nulo o conhecimento missiológico em um homem desprovido do caráter de Cristo.

Antropologia Cultural

Entendamos inicialmente a relevância da Antropologia Cultural, ou “Antropologia da Observação Cultural” como definia M. Stuart no início dos anos 50, na necessária tarefa de ‘explorar a possibilidade da comunicação do evangelho a outro grupo que, culturalmente, possua outros padrões de valores existenciais na transmissão de uma mensagem’. Fala a respeito da possibilidade de real comunicação entre dois grupos distintos com diferentes (e às vezes divergentes) cosmovisões.

Respondendo a um missionário que fortemente indagava “mas qual a aplicabilidade da Antropologia Cultural em meu ministério” comecei a responder dizendo:

A Antropologia Cultural, funcionalmente definindo, é um instrumento de reconhecimento das perguntas existentes em certa cultura, socialmente interpretadas ou não pelo próprio grupo, entretanto necessárias para se diagnosticar os pontos de tensão social ali existentes. Provê as ferramentas necessárias para o mapeamento cultural do grupo alvo através da definição da hierarquia social, hierarquia socio-espiritual, expressões ritualísticas e cerimoniais, cosmologia, cosmovisões e costumes, linguagem interativa e comunicabilidade. O alvo da antropologia cultural, missiologicamente falando, é levantar as perguntas socialmente relevantes afim de receber respostas biblicamente centradas. O alvo final é fomentar transformação de vida e sociedade através de um evangelho que faça sentido na cultura receptora e não apenas na mente e coração daquele que transmite. Ou seja, entender o contexto para que o Evangelho exposto seja inteligível ao que ouve.

Como exemplo poderíamos pensar sobre o tempo linear e cíclico. Quando um povo animista possui toda a sua cosmologia definida pelo tempo cíclico (baseado em acontecimentos que ‘marcam’ o tempo e necessariamente se repetem, não avançam ou retrocedem) e não linear (como o nosso tempo ocidental que segue uma linha contínua progressiva e não repetitiva) fazendo com que o dia 4 de julho de 1999 nunca venha a se repetir em nossos calendários, mentes e cosmologia, isto gera questionamentos socio-existenciais. Estes precisam ser respondidos para a compreensão, aceitação e viabilidade cultural do evangelho dentre o povo.

Em termos práticos, é necessário saber quais são as perguntas (este é o trabalho da Antropologia Cultural) antes de tentar respondê-las (Teologia bíblica). Por exemplo, expor o evangelho numa perspectiva linear para um povo com cosmovisão cíclica terá um dos três possíveis resultados: a) entendê-lo como uma mensagem alienígena e possivelmente aplicável apenas a uma cultura estrangeira; b) entendê-lo parcialmente e tentar preencher os vácuos deixados com respostas da religião materna; o que geraria sincretismo religioso; c) não entendê-lo.

Deixando o simplismo óbvio com o qual estamos lidando seria necessário pensarmos, numa perspectiva do prejuízo histórico no qual vivemos, quais seriam as áreas de estudo na Antropologia Cultural que fariam nossos missionários mais bem preparados para o grande desafio.

Dentre as mais variadas áreas da Antropologia como Antropologia Cultural, Etnicismo, Etnologia, Costumes e Culturas, Fenomenologia Religiosa e Comunicação Social há duas altamente relevantes para nossos candidatos à obra missionária transcultural que são Fenomenologia da Religião e Etnologia. A relevância destas duas áreas de estudo deve-se mais à observação dos comuns erros de campo (inclusive e principalmente os meus) do que em uma tentativa de estruturar um currículo ideal de conhecimento antropológico. Dentre estes ‘erros comuns’ há três que tem vindo à tona quase sempre quando a comunicação é restritiva, parcial ou simplesmente ausente. Eles giram em torno da falta de compreensão de que:

Nem tudo o que é diferente é religioso

Entre os Bassaris, tribo vizinha aos Konkombas com os quais trabalhamos, há um complexo ritual onde um composto de água e gordura é derramado constantemente sobre o corpo de alguém morto recentemente, usando-se uma cuia de madeira enquanto algumas palavras são ditas por uma pequena multidão que se coloca ao redor. Próximo dali é acesa uma fogueira onde folhas verdes são queimadas enquanto um pouco de água é aspergida sobre o fogo por pessoas ligadas àquele que morreu. Lendo um relato de um missionário que esteve entre eles 20 anos atrás ele ao fim conclui: “É um ato de invocação demoníaca a fim de pedir aos espíritos que guiem aquele que morreu”. Nada mais longe da verdade.

Apesar da tribo Bassari ser animista e estar debaixo de forte influência do mal, este ato em particular não passa de uma forma de conservar o corpo do morto durante os dias de espera pelos parentes de aldeias distantes. A água e gordura têm uma propriedade de retardar a decomposição do corpo; a cuia é usada porque não há panelas ou copos; a multidão se posta ao redor da fogueira porque é assim que se reúnem todas as noites mesmo por que não há energia elétrica, e folhas verdes são queimadas (com um pouco de água sendo aspergida) a fim de produzir bastante fumaça e espantar os mosquitos. As palavras ditas são provavelmente os cumprimentos a cada pessoa que chega de outras aldeias para o funeral. Na verdade este não é um ato religioso, mas sim um processo cultural-científico, ou ‘apenas um ato social’ como diria Kenner.

Denomino de ‘neurose espírito-fenomenológica’ a tendência que nós missionários temos de analisar religiosamente todo e qualquer fenômeno interpretando-o como quem chegou para dissecar a religiosidade cultural sem entretanto ver o povo como uma sociedade que vive e não apenas cultua.

Nem tudo o que é cerimonial é demoníaco

Duas posturas são destrutivas na ação missionária para fins de comunicação: não crer na ação demoníaca e crer que tudo é ação demoníaca. A fim de entender a diferença entre os dois pontos podemos usar o conhecimento missiológico, nossa teologia, observação e sabedoria. Entretanto creio que nunca entenderemos a raiz do que é diariamente posto à nossa frente se do alto não nos for dado discernimento espiritual. Um fator agravante é que os fenômenos religiosos em uma cultura recém alcançada devem ser entendidos e interpretados o mais cedo possível a fim de ativar a comunicação aplicativa do Evangelho, o que nos força a tomar posições interpretativas quanto a fenômenos locais muito cedo, quando ainda estamos pouco imersos culturalmente.

Olhando ao redor do universo Konkomba poderia citar um grupo expressivo de fenômenos sociais ou religiosos que necessitam de um esforço de discernimento a fim de identificá-los do ponto de vista espiritual como, por exemplo, a circuncisão de rapazes quando passam para a idade adulta tornando-se ‘ujaman’ - homens; o corte da pele facial formando cicatrizes que apontam para o clã ao qual pertencem; a dança cerimonial após a morte de alguém; o banho de lama e óleo antes de um trabalho pesado ou longa viagem; a ‘venda’ das crianças que nascem após haver morte infantil na família etc. Outros são claramente negativos, mas igualmente carentes de interpretação social como a morte de uma criança quando nascem gêmeos, abandonando-a numa floresta a noite ou mesmo o sacrifício de crianças ‘defeituosas’ ou profundamente enfermas. Devemos entender que uma classificação normativa (demoníaco ou não demoníaco) pode saciar nossa sede de definições teológicas, mas não são suficientes para alinhar um processo na ética de uma igreja que nasce entre um grupo recém alcançado. Há necessidade de uma interpretação um pouco mais profunda levando em consideração que entre vários grupos (como animistas, hindus ou budistas) o comum não se dissocia do sagrado nem o material do espiritual havendo o que pode ser chamado, quase que paradoxalmente, de ‘integração dialética’. Entretanto nossa tendência exorcista brasileira pode levar-nos a uma maior dificuldade no discernir da linha divisória entre religioso e comum e na precipitação do julgamento cultural.

Nem tudo o que é cultural é puro

Este é o outro lado da moeda. O etnicismo defende a pureza natural das culturas intocadas o que pode, em certa instância, influenciar a comunicação. Devemos ser sempre relembrados de que o pecado é cultural. Ele não ocorre em um plano supra humano mas brota do coração do homem envolto em seus conceitos e costumes, manifestando-se moldado às circunstâncias externas como língua, costumes e meio ambiente e por fim caindo no mesmo abismo que foi aberto desde o início: a separação entre o homem caído e o Deus santo. O pecado é cultural, manifesta-se culturalmente e o homem, em sua cultura, necessita de redenção. O Evangelho, entretanto, é supra cultural, pois não se limita às estruturas da sociedade. É aplicado a todo homem, de todas as culturas, em todas as gerações.

Entre os povos isolados (meninas dos olhos dos antropólogos etnicistas) não encontramos um paraíso de pureza cultural, como algumas vezes se pensa, mas sim povos curvados ao inimigo vivendo um inferno na terra e procurando quase desesperados alguma maneira de redenção, mesmo que temporária. Procuram redenção nos sacrifícios, ídolos, amuletos, tabus, magias, rituais demoníacos e penitências. A verdade bíblica universal, entretanto, afirma que a redenção está em Jesus, a mensagem é o Evangelho e entregá-la a outros se chama Missões. Esta é a nossa fé e para isto trabalhamos.

Teologia Bíblica

Teologia bíblica é um termo que deve ser pré conceituado antes de prosseguirmos. Utilizo-o sob o pressuposto temático. Não se trata, portanto de ramos teológicos, teologia sistemática ou de teologia verdadeiramente bíblica, mas simplesmente da sistematização bíblico-temática de assuntos específicos, como ‘teologia de anjos’, ‘teologia de pecado’ ou ‘teologia de sofrimento’: um estudo bíblico temático vétero e neotestamentário. Definindo o termo, sigamos em frente.

A Antropologia Cultural tem como missão mapear, localizar e fazer as perguntas certas. Se olharmos para o Brasil, por exemplo, veremos um grande número de igrejas e pregadores que provêem diariamente respostas (muitas delas corretas teologicamente) para perguntas que nunca são feitas. Poucos se interessam em estudar e compreender sobre câncer nos ossos quando na verdade o que os aflige é uma terrível gastrite. Esta é a primeira instrução antropológica cultural na abordagem de um novo grupo social: descubra as perguntas certas.

Denominações que, em países da América Latina, apresentam uma teologia de ‘prosperidade e sofrimento’ ou mesmo de ‘bênção e maldição’ (apenas para ficar em dois exemplos) acham público; não necessariamente pela seriedade das respostas (muitas sérias e outras não), mas sim pela identificação das perguntas. Em um superficial mapeamento cultural realizado em países socialmente existenciais como o Brasil, facilmente veríamos que duas claras perguntas na mente do povo são: “Porque sofremos ?” e “Como melhoraremos ?”

Entretanto localizar as perguntas certas não pressupõe sucesso na comunicação do evangelho. É necessário apresentar as respostas certas. Alerta: não as respostas que irão surtir efeito, satisfazer a alma ou gerar impacto social: mas sim respostas biblicamente certas.

Dar respostas certas às perguntas certas normalmente é uma tarefa conflitante. Aqueles que o fizeram, já no primeiro século, foram apedrejados, expulsos, perseguidos, denominados de ‘peste’ e ‘transtornadores’. Para aqueles que pensam que uma genuína e culturalmente coerente exposição do evangelho redundará necessariamente em um positivo impacto social além de muitos frutos, precisamos ser relembrados que não se define Missões em termos de resultados, mas sim de fidelidade ao Senhor. A questão final para a apresentação de uma teologia bíblica que responda à pergunta do coração do homem em sua cultura e língua não são os resultados humanos, mas sim fidelidade ao Senhor e à Sua Palavra.

Nesta altura há duas verdades óbvias quanto ao treinamento missionário: primeiramente nossos candidatos à obra missionária precisam ser preparados biblicamente. Estudar a Palavra, conhecê-la, pesquisá-la textualmente, contextualmente e tematicamente. Investir em um bom preparo bíblico é investir diretamente no campo. Em segundo lugar precisamos entender que a fidelidade transpõe a habilidade. Neste momento o caráter cristão deveria ser a mais enfática disciplina em nossos cursos de formação missionária. Como um caráter à imagem de Cristo não pode ser forjado simplesmente em salas de aula precisamos urgentemente de discipuladores entre nossos professores de missões.

Uma grande descoberta pessoal tem sido a primária importância do caráter do missionário acima de sua habilidade de comunicar inteligivelmente o evangelho transpondo barreiras lingüísticas, culturais e missiológicas.

Após três anos entre os Konkombas, quando a Igreja crescia rapidamente e o Evangelho alcançava lugares remotos perguntei certa vez aos líderes locais sobre a principal razão que colaborava para a nossa boa comunicação, mencionando três opções: a) habilidade de falar no dialeto local e ser entendido com facilidade; b) entendimento cultural, dos costumes e forma de vida Konkomba; c) envolvimento pessoal com a sociedade tribal, sendo aceito e aceitando-a.

Eles então responderam: “O nosso povo senta-se para ouvi-lo simplesmente porque você sorri quando nos vê e nos cumprimenta quando passa por nós”. Naquele dia escrevi em meu diário: “caráter é mais importante que habilidade”.

Segundo Hustmann a história das missões se divide em três partes quanto ao conhecimento antropológico e aplicabilidade de teologia bíblica. Na etapa em que nos encontramos os erros antropológicos residem não na falta do conhecimento, mas na falta da disposição em aplicar o conhecimento. Em suma, um número reduzido de missionários erra hoje, em um nível básico de comunicação, devido à falta de entendimento da cultura ou conhecimento bíblico. Os grandes erros de comunicação são conseqüências de uma decisão em não aplicar o conhecimento adquirido. Problema de caráter, não de estudo.

Este princípio é também aplicável em todo um universo de existência missionária onde a grande maioria dos obreiros que voltam forçosamente do campo o fazem devido a problemas de relacionamento enquanto um pequeno índice apontaria para a falta de habilidade em aculturar-se. Caráter, em última instância, é o fator primordial que define relacionamentos, e relacionamentos, citando Abdulai Syin , definem a pressuposição social de aceitação ou rejeição da mensagem que será pregada. Isto implicaria no fato de que, mesmo sendo o evangelho o poder de Deus, este Deus deseja que nós que o transmitimos, o façamos com fidelidade de vida e não apenas conhecimento de causa.

Aprendizado de Línguas

O aprendizado de línguas, juntamente à tradução da Palavra, é uma área de gritante necessidade de atenção em nossos cursos de formação de obreiros transculturais. Pela óbvia necessidade do obreiro transcultural aprender uma nova língua para sobreviver, se relacionar e expor o evangelho. Enfim: comunicar-se.

Quando falamos sobre aprendizagem de línguas estamos tratando sobre um ponto vital na comunicação missionária. Grande parte da força missionária que envolve-se com um grupo pouco evangelizado fora do nosso país necessitará, no mínimo, de aprender duas novas línguas: a primeira delas chamamos de ‘básica’ (inglês, francês, árabe etc) que será usada para se estabelecer em um novo país onde habita o grupo alvo. A segunda, chamamos ‘missiológica’ e é justamente a língua ou dialeto do grupo alvo. Em muitas circunstâncias o grupo alvo pode usar mais de uma língua ou dialeto criando novas ramificações.

Há portanto grande necessidade de investirmos a nível lingüístico-prático na formação de nossos obreiros transculturais: enfatizar um bom curso de aprendizagem de línguas; expô-los à uma segunda língua, desafiá-los a romper a barreira da adaptação lingüística, ensinar-lhes fonética, fonologia, morfologia e conceitos de tradução da Palavra, mesmo que informal e para transmissão verbal do evangelho. Enfim, dar-lhes as ferramentas.

Do ponto de vista lingüístico há uma grande diferença entre o ideal missionário e a realidade missionária. Um exemplo pessoal. Quando chegamos em Gana fomos desafiados a trabalhar com um grupo conhecido como ‘Konkombas’ que, segundo os registros, falavam uma variação de 4 ou 5 dialetos. Chegando até eles e conhecendo-os de perto vemos hoje que ‘Konkombas’ é apenas uma expressão estrangeira sendo esta uma palavra totalmente desconhecida e sem sentido para a própria tribo. Também não são uma tribo, mas algo que poderíamos chamar de ‘Nação Tribal’: um agrupamento de etnias irmãs sem concentração social mas com interesses comuns, onde são faladas 23 línguas e 64 dialetos diferentes, apenas dentre os grupos e sub grupos que conseguimos estudar. Nós hoje trabalhamos com 1 destes 23 grupos (que para facilitar a comunicação no Brasil continuamos a tratar como ‘Konkombas’) que se auto-entitula Bimonkpelnn onde são falados 9 diferentes dialetos, alguns tão distantes ao ponto de necessitarmos em média de três intérpretes a cada culto, apenas entre os ‘Bimonkpelnn’. A realidade não romântica do campo força-nos a investir na formação lingüística de nossos obreiros, pois as barreiras existem para serem ultrapassadas e foi-nos confiada esta tarefa.

Conclusão

É necessário avançar. Usar os instrumentos de instrução que o Senhor tem nos dado. Investir no entendimento antropológico cultural, conhecer a Palavra a fim de propor um evangelho inteligível e estudar as línguas para que haja comunicação. Entretanto é necessário sempre lembrar que nenhum conhecimento acadêmico fala mais alto do que uma vida transformada. Que o caráter transpõe a habilidade. É preciso seguir Jesus.

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Liderança

Escrito por Thiago André Monteiro em 12/Março/2008

A situação era a seguinte: os judeus estavam a ponto de entrar na tão sonhada “terra prometida”. Eles haviam saído do Egito (depois do famoso episódio das dez pragas e da travessia do mar Vermelho) e peregrinado por 40 anos pelo deserto. Deus estava dando as leis que deveriam ser seguidas nas novas terras. Atente para o segundo e terceiro parágrafos:


Deuteronômio 17.14-20

Se quando entrarem na terra que o SENHOR, o seu Deus, lhes dá, tiverem tomado posse dela, e nela tiverem se estabelecido, vocês disserem: ‘Queremos um rei que nos governe, como têm todas as nações vizinhas’, tenham o cuidado de nomear o rei que o SENHOR, o seu Deus, escolher. Ele deve vir dentre os seus próprios irmãos israelitas. Não coloquem um estrangeiro como rei, alguém que não seja israelita.

Esse rei, porém, não deverá adquirir muitos cavalos, nem fazer o povo voltar ao Egito para conseguir mais cavalos, pois o SENHOR lhes disse: ‘Jamais voltem por este caminho’. Ele não deverá tomar para si muitas mulheres; se o fizer, desviará o seu coração. Também não deverá acumular muita prata e muito ouro.

Quando subir ao trono do seu reino, mandará fazer num rolo, para o seu uso pessoal, uma cópia da lei que está aos cuidados dos sacerdotes levitas. Trará sempre essa cópia consigo e terá que lê-la todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, o seu Deus, e a cumprir fielmente todas as palavras desta lei, e todos estes decretos. Isso fará que ele não se considere superior aos seus irmãos israelitas e que não se desvie da lei, nem para a direita, nem para a esquerda. Assim prolongará o seu reinado sobre Israel, bem como o dos seus descendentes.

O que podemos aprender com isso? Como é o procedimento dos nossos líderes e governantes de hoje? Notamos claramente que o foco foi perdido. A busca por riquezas e poder é o principal alvo de alguém que almeja um cargo de liderança.

Será que nossos líderes ao menos têm uma Bíblia. Se têm, será que lêem “todos os dias da sua vida”? Não seria este o motivo de considerarem-se superiores? Como seria se nossos líderes não buscassem riquezas ou poder, mas aprendessem a temer o Senhor e se esmerassem por cumprir fielmente os princípios revelados por Deus naquele livro que eles teriam em suas cabeceiras?

Falar do nosso governo é fácil, mas será que você não é também um líder? Não tem ninguém abaixo de você? Lembre-se, por exemplo, que um pai é o líder de seu lar. Se não é o seu caso, o que faria se estivesse na posição de liderança? Qual seria o seu objetivo? Como seria a sua conduta?


Thiago André Monteiro
2008-03-12

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O Grandão dos grandões

Escrito por Thiago André Monteiro em 11/Janeiro/2008

O mundo está cheio deles.

Em todas as áreas do conhecimento humano, encontramos alguém fora de série, merecedor (e muitas vezes ganhador) do prêmio Nobel.

O homem tem uma capacidade impressionante de se superar. Estão aí as olimpíadas para não me deixar mentir. Record após record. Antes medidos em minutos, depois em segundos, depois em décimos de segundos e agora em milésimos de segundo. Parece que o homem não conhece limites para o seu desempenho.

Na área profissional eclodem a cada dia novas estratégias, novas propostas e novos desafios que superam todos os anteriores. A meta é superar as metas. Não basta vencer, é preciso continuar vencendo. Aí nascem os grandões, os bam-bam-bans.

Os melhores colégios e as melhores faculdades são as que preparam os seus alunos para disputarem com a concorrência de tudo e de todos, e saírem vencedores. Afinal a vida é uma luta, é preciso lutar, é preciso saber lutar.

Então vêm os desafios em grupo, coletivos, diversos, multiformes e devoradores de pequenos e incapazes. Sobrarão apenas os grandões. E todos querem ser grandões, profissionalmente, intelectualmente, financeiramente, etecétera e tal. Estão aí os concursos para provar a disputa. Nunca se fez tantos cursos para prestar tantos concursos.

Acontece que a vida não é apenas profissão, estudo, concurso, finanças ou carreira. Há muitos grandões nessas áreas, que são anõezinhos em outras.

Quantos desses grandões fracassaram no casamento, na família, com os filhos. Quantos deles estão sozinhos, sem amigos verdadeiros. Quantos sofrem de insônia, sem saber o porquê.

Há um vazio interior na vida de muito grandão. Há um anseio por algo que nem sequer se sabe o que é. Procura-se pelo que nem se sabe o quê, mas se tem certeza que está faltando.

Todo grandão é um fenômeno em alguma área. Supera muitos ou todos os demais. Tem uma mente privilegiada. Sua inteligência extrapola a normalidade. E tudo isso tem sua origem num nascimento onde ele nada fez para nascer. Seu DNA foi formado sem a sua ajuda ou interferência. Mesmo coisas de menor importância como cor dos olhos ou cabelo, tamanho do pé, ou do nariz não ficou na sua alçada. Coisas como capacidade intelectual, talentos e preferências, já vieram de fábrica. Ninguém faz essas escolhas na fonte. A maior parte de sua personalidade e caráter já estavam determinados aos 5 anos de idade, quando sua capacidade de escolha era tão pequena.

É verdade que todos os grandões tem uma linda história de esforço e aproveitamento de oportunidades. Mas todos concordam que nem todos tiveram as mesmas oportunidades… Não é mesmo?

Assim, apesar de tudo que fizeram para chegar aonde chegaram. Eles mesmos não explicam tudo. Só numa parte da história eles tem mérito.

Então quem tem o mérito da outra parte, começando no nascimento? Aí é que vem a inteligência maior, O Grandão dos grandões. Sim, nenhuma grande inteligência pode ter vindo de uma inteligência menor ou de nenhuma inteligência. Só informação gera informação. Cada um de nós traz no DNA uma infinidade de informações exatas sobre nós mesmos. Quem criou isso, quem ordenou isso, quem determinou que fosse assim e não assado?

Só há uma conclusão possível. Alguém muito maior, alguém que detém muito mais informação, alguém que dispõe essas informações do jeito que quer.
Esse Grandão maior… O maior de todos, chamamos Deus, de uma forma genérica. Mas podemos ser mais específicos, esse é o Grande Deus, criador dos Céus e da Terra, e de todos os demais grandões que nela há, inclusive você e eu!
Você pode conhecer e manter um relacionamento pessoal com esse Grandão!


Daniel Reis
2007-10-09

SALMO 146

1 Aleluia! Louva, ó minha alma, ao SENHOR.
2 Louvarei ao SENHOR durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu viver.
3 Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação.
4 Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios.
5 Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no SENHOR, seu Deus,
6 que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e mantém para sempre a sua fidelidade.
7 Que faz justiça aos oprimidos e dá pão aos que têm fome. O SENHOR liberta os encarcerados.
8 O SENHOR abre os olhos aos cegos, o SENHOR levanta os abatidos, o SENHOR ama os justos.
9 O SENHOR guarda o peregrino, ampara o órfão e a viúva, porém transtorna o caminho dos ímpios.
10 O SENHOR reina para sempre; o teu Deus, ó Sião, reina de geração em geração. Aleluia!

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Apenas gotas…

Escrito por Thiago André Monteiro em 11/Janeiro/2008

Jesus se revelou aos poucos… em gotas.
Sua exposição do evangelho sempre foi parcial.
Para Nicodemos ele falou de nascer de novo, mas não falou do arrependimento.
Para a mulher samaritana falou da água viva, mas não falou do perdão.
Para o jovem rico falou em vender tudo, mas não falou sobre o pecado.
Para a mulher adúltera falou sobre o perdão, mas não falou sobre a fé.
Para seus discípulos só pediu que o seguissem, sem maiores explicações.

Nós temos a tendência de pensar que apresentar o evangelho é falar de todos os pontos que achamos essenciais para a salvação. Como se o Evangelho só tivesse sentido no seu todo programático que nós construímos. Nossa mentalidade sistemática não se conforma que Jesus levou mais de três anos para dizer o que queria dizer. E isso nós resumimos num simples plano de alguns versículos e chamamos de Plano de Salvação, como se isso fosse todo o evangelho. Ledo engano o nosso. O evangelho é muito mais do que isso. O evangelho é o próprio Cristo. O evangelho é uma pessoa e como podemos nos relacionar com ela, Jesus!

Parece que Jesus “evangelizava” todas as pessoas que encontrava, apenas convivendo, amando, ouvindo, fazendo o bem e ensinando algumas verdades do Reino de Deus. Do seu Reino. E deste seu reino ele foi ensinando aos poucos, sem pressa, sem constrangimentos, sem emoções, sem apelos e sem ritos de aceitação. Não parece que Jesus tenha usado qualquer padrão para compartilhar as verdades de seu Reino. E mesmo que nós quiséssemos fazê-lo, pobre de nós, não saberíamos como. Hoje vemos em parte, mesmo depois de ler tudo que ele revelou. Conhecemos apenas parcialmente o que é o seu Reino.

Podemos pensar no Reino como a Família do Pai. A maneira como ele dirige, administra e usufrui desse profundo relacionamento Pai-filhos. Mas além disso Ele é Rei, isto é, tem um relacionamento de senhorio, de comando, de supremacia e de legislador. Ah! Ele também é o próprio Criador. Quer dizer, sem Ele nós nem existiríamos. Tudo isso é evangelho, tudo isso é revelação, tudo isso se vê no discurso de Cristo.

Portanto, ao nos aproximarmos de quem quer que seja e compartilharmos gotas destas verdades, estaremos evangelizando, isto é, levando sinais do Reino de Deus, para quem vive apenas no reino deste mundo. Não nos apressemos. Não tentemos resumir tudo em 1 minuto. Não esperemos que alguém possa compreender tudo, apenas dê uma breve síntese.

A verdade que desejamos compartilhar faz parte de um todo infinito de revelação. O que vamos dizer deve ser algo significativo e impactante para a vida de quem ouve. Uma idéia, um conceito, um princípio, uma verdade, uma história, uma imagem, uma parábola é o bastante para que o Espírito de Deus trabalhe firmemente no coração de quem ouve a Palavra de Deus.

Que o Senhor nos ajude a sermos mais objetivos, mais certeiros, menos apressados e mais profundos no compartilhar as verdades do evangelho.


Pr. Daniel Reis
2007-10-01

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O Filho do Zé

Escrito por Thiago André Monteiro em 11/Janeiro/2008

Certa vez seus inimigos, quase que sem querer,
Prestaram a ele uma notável e significativa homenagem.
Na verdade intentavam ofendê-lo, depreciá-lo e desacreditá-lo.
Mas o tiro saiu pela culatra e destacou ainda mais a Sua grandeza.

Não é este o “filho do Zé”? Perguntaram seus algozes!
“Filho do Zé”, sim… ele é apenas o “filho do Zé”!
Como podia ele ser mais desprezível do que ser o “filho do Zé”?
Quem é o Zé? Um Zé qualquer, um Zé ninguém, só um Zé.

Na verdade, eles estavam certos. Ele era mesmo “filho do Zé”.
E o Zé, seu pai era um simples e ilustre desconhecido.
Ele era só um Zé, e ainda acrescentava-se… ”Zé marceneiro”.
No máximo era um coadjuvante, era o Zé do presépio.

Assim como o pai, certamente também seria o filho.
Tal pai, tal filho…decretaram profeticamente os fariseus.
O que se poderia esperar de um “filho do Zé”?
Ninguém precisaria se preocupar, ele era só o “filho do Zé”.

O que eles não sabiam é que sua maior e inusitada estratégia,
Era justamente o fato de se tornar o que era: “filho do Zé”.
Claro que poderiam chamá-lo de Filho do Rei, Filho de Deus,
E de fato Ele era, Ele é, e Ele sempre será o Filho de Deus, o Filho do Rei.

Ser filho do Zé, foi seu grande e indispensável trunfo.
Ser filho do Zé, abre a porta para todos os demais filhos dos Zés.
Quem estaria fora de seu alcance? Se ele mesmo era filho do Zé?
Ele se tornou exatamente quem precisava ser: filho do Zé.

Por um impressionante detalhe da sua história,
Aquele que foi chamado de Filho do Zé - Marceneiro
Viveu toda sua vida fazendo o bem a todos os Zés que encontrou
Mas terminou sua vida numa cruz, obra crua de algum Zé Marceneiro

O Grande Deus, o Grande Criador de tudo e de todos,
Aquele que era, que é e que sempre será o Pai da Eternidade,
Ele se fez filho do Zé, viveu como filho do Zé, morreu como filho do Zé,
Para que todos os demais filhos de Zés vivam toda a eternidade.

Ele foi para a cruz, representando todos os Zés que existem,
o Zé egoísta, o Zé orgulhoso, o Zé briguento, o Zé etecétera…
Mas, naquela cruz, ele também era o Unigênito Filho de Deus.
Só por isso ele pode morrer por todos os Zés, por vocês e por mim.

Hoje, todo e qualquer filho… de todos os Zés,
Através da simples fé nesse tão simples “Filho do Zé”
Pode se tornar um verdadeiro Filho de Deus
Por que Ele, o Filho de Deus, morreu por todos nós “filhos de Zés”!


Daniel Reis
Egito, janeiro de 2007

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Especial de Natal

Escrito por Thiago André Monteiro em 31/Dezembro/2007

Pessoal,

neste Natal ganhamos um presente. Como que caído do céu apareceu uma pessoa que não somente visitou o site Baú de Crônicas como também me cedeu três de seus textos pessoais.

É, portanto, com muita alegria que abro um novo espaço para artigos de outros autores no site Baú de Crônicas. Visite, leia e deixe seu comentário.

Os textos são:

Desde já agradeço ao autor Daniel Reis e peço a Deus para que esta seja apenas a primeira de muitas participações.

Boas festas e que Cristo habite o coração de todos vocês!

Thiago André Monteiro
t.a.monteiro@gmail.com
2007-12-23

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Natal - Uma estranha tristeza

Escrito por Thiago André Monteiro em 31/Dezembro/2007

O coração fica apertado, numa estranha tristeza.
Engulo com dificuldade, respiro meio ofegante.
Compreendo tudo que vejo e aprecio sua beleza.
Mas não sei por que sinto algo tão intrigante.

Busco razões, memórias, idéias ou tradições.
Encontro princípios, fotos e acontecimentos.
Em nenhum deles existem sequer sugestões
Que justifiquem tão estranho sentimento.

Os que sofreram perdas pessoais irreparáveis
Precisam passar por tempos como agora.
Confrontar lembranças e marcas inegáveis
Para amenizar a parte que já foi embora.

Aqueles que repartem a vida com a solidão,
Que vivem, comem e dormem sozinhos,
Sentem a falta cruel de qualquer comunhão.
Sujeitos à boa vontade de seus próprios vizinhos.

Outros ainda não encontraram a razão de viver.
Talvez por isso, sintam no peito tão grande estio.
Vivem nesses dias o mais profundo desprazer.
Aflorando no Natal esse existir tão cheio de vazio.

Há os que não podem se livrar da triste realidade.
A vida é sempre um peso a ser carregado.
Eles até ganham presentes e alguma bondade.
Mas o dia seguinte, como antes, continua pesado.

Uns não se enquadram em nenhuma dessas razões.
Não há motivos nem de perdas nem de sofrimentos.
Vivem em família, com irmãos e boas recordações.
Deus lhes tem dado cada dia um farto suprimento.

Talvez o Natal nos faça a todos muito sensíveis.
Que a lembrança de Deus e Jesus, seu filho amado,
Nascido tão pobre, morto por meios tão terríveis,
Vá além do sentimento que pode ser suportado.

Diante de tão grande manifestação de amor
A humanidade se depara com seus atos tão cruéis.
Fica difícil curtir no Natal o seu verdadeiro sabor.
Esse é o privilégio proposto aos crentes e fiéis.

Há uma tristeza, sim, indomável e intensa.
Um nó na garganta, uma vontade de chorar.
Querer estar sozinho e curtir de forma densa
O que de mais profundo se possa cantar.

Essa emoção nobre, real e verdadeira
É vista até na mais feliz das velhas canções.
Mas é possível pensar e sentir de outra maneira
Vivendo em fé, gratidão e muitas outras emoções.

Glória a Deus nas alturas, que nos lembra de novo
Histórias tão cheias de emoção e de dor.
Que esta mensagem alcance o coração do povo
Transformando toda tristeza em cântico de louvor!

Pr. Daniel Reis
danielreis@ibmemorial.org.br
2007-12

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Focando o essencial

Escrito por Thiago André Monteiro em 31/Dezembro/2007

Focar é essencial.

Focar o essencial é mais essencial ainda.

Sabemos que sem foco nada tem êxito nem significado.

É preciso focar.

É preciso focar o essencial.

Não se pode perder o foco.

O essencial é o foco.

O foco é essencial.

Nesta época do ano toda pressão externa é pela generalização, pelo supérfluo e periférico. Quase nada aponta para o essencial.


Os personagens – quem são os personagens?

Por algum tempo pensei que era o Papai Noel quem centralizava todas as atenções da mídia no Natal. Mas na verdade não é ele não. O Papai Noel é apenas o entregador das mercadorias vendidas pelo comércio alucinado desses dias. O personagem principal somos nós mesmos. A festa de Natal é para nós, para os nossos familiares e para os nossos amigos. É uma festividade que nos dá a desculpa de festejar mesmo sem nenhuma outra razão aparente. Nós mesmos roubamos a cena. Nos ocupamos tanto, fazemos tanto, compramos tanto, preparamos tanto. Tudo para nós mesmos nos alegrarmos uns com os outros.

Claro que não nos esquecemos dos pobres. Fazemos questão de dar uma cesta básica, adotamos alguma criança ou família carente. Isso é ótimo, mas não é o nosso foco principal. Focamos mesmo em nós mesmos.


Os presentes – por quê damos presentes?

Se há uma tradição que é economicamente correta é essa. Dar presentes uns aos outros. É um bom costume. Não há nada de errado em dar e receber presentes. Especialmente como demonstração de amor e consideração. É muito bonito. Todos gostam. Mas… nem se sabe porque damos presentes. O foco, a razão, a essência fica muito longe da tradição.

Além do mais, a exploração comercial é tanta que fazemos a festa da indústria e do comércio. Eles nos incentivam a dar presentes aos montes. Mais presentes é melhor e melhores presentes é melhor ainda.

E o foco? Qual é? Para que mesmo… estamos dando presentes?


As festas – para quem são elas?

E as festas. Elas são ótimas. Quase sempre, comida e bebida em exagero… sempre sobra tanto. Casa super-ornamentada. Enfeites por todos os lados. Móveis novos, roupas novas e muitos brinquedos novos. É a alegria da criançada. Muita música e muita risada. Almoços, jantares, ceias, churrascos, confraternizações etc. É pura festa. Festa e mais festa.

O foco? Bem, o foco… será que alguém se preocupou com isso? Na verdade quem precisa de foco para se divertir, comer bem e receber presentes? Seja lá qual for a razão, ela deve ser boa… então… vamos festejar.


O “espírito” – que espírito é esse?

Esse “espírito” que é traduzido por gentileza, bondade, fraternidade, doações, abraços, muita alegria e simpatia. Todos são desafiados a adotar essas e outras nobres atitudes e posturas. É, na verdade, a época em que tudo isso mais acontece. Talvez não tão profundamente como seria esperado, mas pelo menos é mais do que nas outras épocas do ano. Pena que ainda seja tão pouco e que passe tão depressa.

O foco do tal “espírito”? Esse não tem muita importância. Nem precisa ser identificado. Ele pode ser customizado. Cada um faz o seu. Cada um escolhe o que mais lhe convém, e pronto… dá-lhe festa!

Pois é… os personagens, os presentes, as festas e o tal “espírito” dominam os últimos 50 dias do ano, mas poucos sabem o porquê.

O foco essencial de tudo isso é Jesus Cristo. Não há outro. Nunca houve e nunca haverá. O Natal deveria ser a comemoração do Seu nascimento. A celebração da vinda e vida dEle. A festa de gratidão pelo que Ele é e pelo que fez por nós.

Natal sem Cristo não é Natal. Pode ser qualquer outra coisa, está fora do foco! É preciso focar a essencialidade do Natal.

Procure conhecer mais esse fantástico personagem que é o verdadeiro foco do Natal: JESUS. Encontre-o, lendo os Evangelhos escritos na Bíblia.

Pr. Daniel Reis
danielreis@ibmemorial.org.br
2007-11-28

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Pobre de Cristo

Escrito por Thiago André Monteiro em 31/Dezembro/2007

Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos:
Quem diz o povo ser o Cristo? (Mateus 16.13)

Pra começar, não o compreenderam.

Foi perseguido pelas autoridades religiosas e políticas do seu tempo.

Terminaram por matá-lo como perigoso bandido e enganador.

É verdade que no início, por dois ou três séculos, seus seguidores foram cruelmente martirizados e mesmo assim, talvez até por isso mesmo, cresciam tanto que acabaram por se tornar influentes e socialmente significativos.

Um imperador romano teve a brilhante e maléfica idéia de assimilá-los, ao invés de combatê-los, tornando a fé cristã não só aceitável como oficial.

O que a princípio parecia bom foi se tornando a pior armadilha e fracasso do cristianismo. Sua institucionalização o tornou mecânico, automático, compulsório, obrigatório. Pobre de Cristo.

A conseqüência disso é que o cristianismo se tornou dominador, poderoso e opressor. Centenas de milhares de pagãos, judeus, árabes e bárbaros foram mortos em nome de Cristo, somente porque não creram nele. Foram os cristãos que promoveram as cruzadas. Foram os cristãos que instituíram a Inquisição. Foram os cristãos que espalharam terror e morte pelo mundo afora, em nome de Cristo. Os cristãos foram os primeiros terroristas religiosos, não os muçulmanos! Eles mancharam as páginas da história com muito sangue inocente, e isso por toda a idade das trevas da história da humanidade. Sim, os cristãos o fizeram. Em nome de Cristo o fizeram. Pobre de Cristo.

Depois acrescentou-se – como se já não bastasse toda essa dose de desvio, discriminação e terror – acrescentou-se a chantagem, a barganha, a exploração econômica da fé. Mais séculos de desvio de conduta e, de novo, em nome de Cristo. Vendiam-se bênçãos, trocavam-se favores em nome de Deus. Cobravam-se impostos espirituais. Negociavam-se terrenos no Céu. Tirava-se do povo o pouco que ainda lhe restava, prometendo-se riquezas na vida vindoura. Cristo tornou-se amuleto religioso e peça de comércio, bijuteria de pobre e jóia de rico. Pobre de Cristo.

O cristianismo foi se tornando o cristianismo das “mães de Cristo”, o cristianismo dos “amigos de Cristo”, o cristianismo das muitas igrejas cristãs, o cristianismo do papa, dos apóstolos, dos bispos, dos padres e dos pastores. O cristianismo das leis, das regras, dos ritos, da liturgia. O cristianismo dos votos e das promessas, dos doutores e dos teólogos, o cristianismo de todos, menos do Cristo. Pobre de Cristo.

Hoje, o cristianismo caiu em descrédito. O mundo quase não lhe dá importância. O cristianismo perdeu o bonde da história. Pensa-se que o seu tempo passou e que não foi aprovado. É matéria vencida. É verdade que um quarto da população mundial ainda se diz cristão, mas isso já não muda quase nada. Nem sua vida pessoal, familiar ou profissional, e muito menos a sociedade em que vive. Países oficialmente cristãos praticaram a escravatura, incentivaram o racismo, fizeram discriminações odiosas, dizimaram nativos e exploraram estrangeiros. A sociedade ocidental cristianizada, coisificou o ser humano e tornou verdades existenciais em pragmatismo utilitarista. Em países com maioria cristã, prolifera o materialismo, a imoralidade, o consumismo desenfreado, o narcisismo, a corrupção, os vícios e até a guerra por interesses econômicos ou de dominação. Parece que não há diferença alguma, e em alguns casos, quando ela se apresenta, é negativa, isto é, os cristãos chegam a ser piores. Pobre de Cristo!

No Brasil, nem se fala. Cidades e estados com grande número de cristãos evangélicos têm alguns dos piores indicadores sociais. Os chamados “crentes” não fazem nenhuma diferença. Eles brigam, adulteram, se divorciam, são agressivos, têm suas famílias desagregadas, são egoístas como todo mundo, corrompem e são corrompidos, falam mal, não pagam, não cumprem a palavra, mentem, sonegam… e por aí afora. Pobre de Cristo!

Cristo e a fé voltaram a ser moedas de grande poder de barganha. Ofertas, campanhas e promoções vendem, de novo, benesses espirituais. Igrejas tornam-se bancos, lojas e até indústria de bênçãos, com marketing e tudo o mais que a estrutura do mundo dos negócios exige. Igrejas existem para enriquecer seus diretores, líderes, pastores, bispos e apóstolos. Mais uma vez… Pobre de Cristo… Pobre de Cristo.

Urge que se volte para o Cristo histórico e bíblico.

Urge que se ouça novamente esse Cristo.

Urge que se sigam seus ensinamentos.

Urge que cada vez mais gente assuma o verdadeiro discipulado que ele propõe.

Urge que se identifiquem pessoas transformadas por Cristo, mudadas por Cristo, moldadas por Cristo. Gente que não é mais a mesma. Gente com uma vida digna de Cristo.

Urge que igrejas verdadeiramente cristãs, sem essa herança perversa das heresias puramente religiosas, se levantem para viver e mostrar o evangelho como ele é e como ele deve ser vivido.

Urge haver gente comprometida até o último fio de cabelo com Cristo, com a sua ética, com a sua postura, com o seu amor, com a sua visão de mundo, e com o seu evangelho eterno.

Aí sim, veremos a riqueza e o valor de Cristo. Grande Cristo!

A pergunta que não quer calar foi feita por Pilatos no julgamento de Cristo:

“Que farei de Jesus, chamado Cristo?”

E você, aceitaria o desafio de saber o que significa ser um verdadeiro discípulo do verdadeiro Cristo?

Pr. Daniel Reis
danielreis@ibmemorial.org.br
2007-09-20

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Eu, com ciúmes? (uma introdução ao Apocalipse)

Escrito por Thiago André Monteiro em 16/Dezembro/2007

Muita gente me pergunta sobre o Apocalipse. Imagino que seja uma curiosidade da grande maioria das pessoas, sejam elas cristãs ou não. Quem não se empolga quando o assunto é o Armagedom, ou a destruição do planeta, ou qualquer tipo de história que fala sobre o fim de mundo? Ainda mais quando se trata de algo que está escrito na Bíblia que, quer acreditemos nela ou não, é objeto de, no mínimo, grande respeito.

Certo! Mas o que o título deste artigo tem a ver com o Apocalipse? Calma! Chegaremos lá. Tudo no seu devido tempo.

Como um amigo meu costuma dizer, não é a toa que o livro de Apocalipse é o último da Bíblia. Ou seja, ele deve ser lido por último. A chance de você pegar um livro qualquer, ler o último capítulo e entendê-lo é um tanto quanto pequena. Mais do que isto, é muito grande a chance de você entender as coisas de forma completamente errada e, conseqüentemente, concluir coisas igualmente erradas. Vale a mesma regra para o Apocalipse. Aliás, é por isso que vemos tanto discurso absurdo por aí. As pessoas têm a mania de tirar suas conclusões sem interpretar o todo, mas isso é um outro assunto que não pretendo discorrer agora.

Voltando ao tema original, como sei que o homem é um ser curioso, ansioso e preguiçoso, pretendo, mesmo que de forma bem enxuta, explicar um pouco acerca do Apocalipse. Obviamente este assunto não se limitará a este artigo, e sim a alguns que estou planejando para um futuro não muito distante.

Para entender o Apocalipse precisamos primeiro conhecer as personagens desta história. As principais são: o povo de Israel, mais conhecido como judeus, e a Igreja de Cristo, mais conhecida como todos os salvos desde a morte de Cristo (na verdade a Igreja passou a existir no dia de Pentecostes, que aconteceu poucos dias depois, mas como é grande a chance de você nunca ter ouvido falar disso, pense que foi depois da morte de Cristo. Se quiser saber o que foi esse tal Pentecostes leia os dois primeiros capítulos do livro de Atos).

Um mínimo de história será necessário. Todo mundo sabe que o povo escolhido de Deus é o judeu. A Bíblia realmente fala disso, e fala muito! Este povo foi gerado por Deus através da descendência de Abraão (a história está lá no livro de Gênesis) e foi com ele que Deus fez aliança. Ele prometeu muita coisa para o povo judeu, mas muita mesmo. O Antigo Testamento, todo escrito para o povo judeu, está recheado de promessas. O fato é que algumas se cumpriram, outras não. Agora é a hora de você pensar: mas se foi Deus quem prometeu, ele não tem que cumprir? A resposta é um enorme: SIM!

Deus nunca escondeu que Israel era o seu povo escolhido. Uma das promessas dadas ao povo é que viria um grande rei que reinaria sobre toda a nação israelita. Ele livraria o povo das perseguições e os salvaria. Israel governaria o mundo com este líder a frente. Você conhece alguma época da história em que isto aconteceu? Eu não.

O fato é que tal rei veio mesmo! Porém (sempre tem um porém), os judeus não o aceitaram. Não acreditaram que este homem era de fato o prometido. Mais do que não aceitá-lo, eles o mataram. Penduraram ele numa cruz e o sangraram até a morte. Acho que você já sabe de quem eu estou falando!

Note que até agora não se ouviu falar em Igreja (lembre-se que não estou falando da instituição igreja, nem de religião, mas do conjunto de pessoas salvas depois da morte de Cristo). Se você vasculhar o Antigo Testamento inteiro não encontrará qualquer menção à existência de algo como a Igreja. Ela era um mistério para a época, ou seja, os judeus não tinham a menor idéia de que isto seria um dia realidade. Para eles o povo escolhido de Deus era Israel e pronto.

O fato é que os judeus negaram o rei que lhes foi apresentado. O que foi então que Deus fez? Deixou Israel de lado e escolheu (montou desde o início) outro povo: a Igreja!

Opa! Espera aí! E as promessas todas ao povo judeu? Deus pode mudar assim de idéia e fingir que não prometeu nada?

Mas quem foi que disse que ele mudou de idéia? Quem foi que disse que Deus não sabia que os judeus negariam o rei que foi enviado? É claro que ele sabia. Mais do que isto, este era o plano. E é claro que ele não esqueceu a sua promessa com os judeus. Se Deus não sabia que os judeus o negariam, como teríamos no Antigo Testamento (escrito para os judeus, antes da vinda e Cristo) qualquer menção à crucificação de Cristo, e ainda colocando a responsabilidade sobre os ombros do próprio povo judeu?

Isaías 53.3-12 (isto é uma profecia que fala sobre alguém que viria. Em profecias é comum usar o tempo no passado, como se os fatos já tivessem acontecido. Ao ler isto, pense que você é um judeu vivendo na época antes de Cristo)

Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e experimentado no sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima.

Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos castigado por Deus, por Deus atingido e afligido. Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.

Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. Com julgamento opressivo ele foi levado. E quem pode falar dos seus descendentes? Pois ele foi eliminado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado. Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte, embora não tivesse cometido nenhuma violência nem houvesse nenhuma mentira em sua boca.

Contudo, foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor tenha feito da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão. Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniqüidade deles. Por isso eu lhe darei uma porção entre os grandes, e ele dividirá os despojos com os fortes, porquanto ele derramou sua vida até a morte, e foi contado entre os transgressores. Pois ele levou o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu.

O fato é que os judeus o negaram e isto não passou em branco para Deus. Como disse acima, o próprio Deus criou então a Igreja (depois da morte de Cristo) e começou a se relacionar com ela. Agora o povo de Deus é a Igreja (mesmo que no sentido espiritual).

Você poderia então me perguntar: e os judeus? Foram descartados e desconsiderados? Por que Deus fez isto? Para quê criar um novo povo (a Igreja) ao invés de dar seqüência com o seu próprio povo escolhido? Acredito que agora você está pronto para ler o que o apóstolo Paulo escreveu em sua carta aos romanos (gentios participantes da Igreja) quando estes tiveram a mesma dúvida. Você tem total condições de encontrar você mesmo as respostas:

Romanos 11 (algumas partes do capítulo foram omitidas)

Pergunto, pois: Acaso Deus rejeitou o seu povo? De maneira nenhuma! Eu mesmo [Paulo] sou israelita, descendente de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, o qual de antemão conheceu. [...] como está escrito: “Deus lhes deu um espírito de atordoamento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até o dia de hoje”. [...]

Novamente pergunto: Acaso tropeçaram para que ficassem caídos? De maneira nenhuma! Ao contrário, por causa da transgressão deles, veio salvação para os gentios, para provocar ciúme em Israel. Mas se a transgressão deles significa riqueza para o mundo, e o seu fracasso, riqueza para os gentios, quanto mais significará a sua plenitude! [...] Pois se a rejeição deles é a reconciliação do mundo, o que será a sua aceitação, senão vida dentre os mortos? [...]

Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israel experimentou um endurecimento em parte, até que chegue a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: “Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados”. Quanto ao evangelho, eles são inimigos por causa de vocês; mas quanto à eleição, são amados por causa dos patriarcas, pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis. Assim como vocês, que antes eram desobedientes a Deus mas agora receberam misericórdia, graças à desobediência deles, assim também agora eles se tornaram desobedientes, a fim de que também recebam agora misericórdia, graças à misericórdia de Deus para com vocês. Pois Deus colocou todos sob a desobediência, para exercer misericórdia para com todos.

Como vimos, no fim o povo judeu será salvo. Por enquanto eles estão enciumados na geladeira, mas Deus voltará a se relacionar de maneira especial com Israel, contudo isso só acontecerá quando a Igreja chegar à sua plenitude (e ainda não chegou). Depois desta época Deus cumprirá todas as promessas feitas a Israel que ainda não foram cumpridas. É verdade que, após a plenitude da Igreja, ainda teremos alguns acontecimentos importantes antes da plenitude de Israel, mas isso é um assunto para outro artigo, onde realmente começaremos a entender o que é o Apocalipse.

Até a próxima!

Thiago André Monteiro
t.a.monteiro@gmail.com
2007-12-12

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